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Domingo à tarde

Vais dizer-me que não gostas...

Domingo à tarde

Vais dizer-me que não gostas...

29.Mai.17

É preciso pouco para sermos felizes.

M: Estou contente, sinto-me feliz.

D: Então M., porquê?

M: Porque fomos campeões pela primeira vez!

D: Ah pois fomos, também merecemos.

M: Sabes, nunca tinha festejado de perto uma taça, foi a primeira vez.

D: Sabe bem, não sabe?

 

Saiu, aos berros, na onda dos festejos. A vida é simples.

28.Mai.17

Comboio da vida

Às vezes vemos a vida a passar a alta velocidade. Vemos tudo desfocado, em linhas de luzes, sentados à porta de uma carruagem de comboio antiga. E é o vento que nos vai levando ao destino, e é ao vento que tornaremos. Pudera eu ter os medos de uma criança de 5 anos, e poder pela primeira vez, outra vez, pisar uma escola, reaprender a vida, reviver a vida, com a inocência que já não podemos ter. Poder ter as primeiras feridas, os primeiros amores, os aborrecimentos de uma vida tão distantes da realidade. É que o comboio vai saindo do apeadeiro, devagarinho, e vai dando tempo aos que chegam tarde, de agarrar os corrimões das escadas da carruagem e de os levarem ao próximo apeadeiro. E era ver o chefe da estação, o guarda de nível, a voz estridente do senhor que anunciava os comboios, o outro senhor que apitava para a partida com a bandeirinha vermelha, que acabou. Hoje ninguém espera por ninguém porque o tempo passou a ser efémero, ninguém se pacienta por nada nem ninguém, e quem falhou uma vez, muitas vezes não falha mais porque não lhe dão outras oportunidades. Não vivi para ter de ser substituído por robôs, nem lidar emocionalmente com latas que não me dizem nada. Falta-me os magustos, as festas de lição 100, os trabalhos manuais e os diálogos. Falta-me parar e apreciar onde estou, o que faço e para onde vou. Falta-me tanto e não me falta nada. 

 

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