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Domingo à tarde

Senta-te, desfruta e serve-te enquanto vou ali fazer uma sestinha

Domingo à tarde

Senta-te, desfruta e serve-te enquanto vou ali fazer uma sestinha

#2 Follow Friday - Chic'Ana

Como é Sexta-Feira, permitam-me partilhar convosco um blogue onde se podem sentir inteiramente em casa. Há sempre um livro, uma caminhada, uma conversa, um pensamento, um devaneio sempre pronto para nos sentarmos e apreciarmos neste espaço. E vou ser totalmente honesto: nem sempre nos sentimos bem com o que escrevemos, muitas vezes nem temos particular gosto em ler o que escrevem por essa blogosfera fora mas este blogue...este blogue sabe bem, cheira bem e é realmente bom. Basta ver o número de comentários, favoritos e a interação sempre presente com a autora. É o sonho de qualquer pessoa que escreve um blogue: extravasar as suas fronteiras da escrita e encontrar pessoas em terra, certo?

 

Adicionem, comentem, leiam. Muito.

 

Chic'Ana, senhoras e senhoras.

 

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hippie-mrec

Não se nega o que nos faz bem

É desta janela de autocarro que vejo passar a vida em silêncio. Tudo parece tão rápido nesta viagem até ao fim, onde o sol me queima nas costas e me magoa os olhos claros. Acompanha-me o Rio Tejo, desde onde sabemos não ter pé até aos baixios, onde moram as salinas que outrora fizeram a história e os dias deste sítio. Tudo acabou, a natureza tomou conta do que é dela e onde nunca tivemos mão. E acabou com ela os que idealizaram tudo isto, que projetaram, que mandaram e, impotentes, deixaram morrer. E enquanto o tempo passou, encostei a cabeça ao vidro e senti o vibrar do espaço que se movimentava, da parte mecânica da vida movimentada a poluição. Já nada fazia sentido senão a minha casa, o refúgio de todos os dias, onde me sentia bem. 

Não se nega o que nos faz bem.

 

hippie-mrec

Pois, que sentido?

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Somos nada,

nada que valha

as chatices do tempo

que desperdiçamos

e desperdiçamos

e pensamos

em nada que interessa.

 

Somos a areia,

que passa por entre os dedos

e que uns perdem em memória

outros em discernimento

outros em estupidez

outros por nada fazer sentido

que sentido?

pois, que sentido.

 

hippie-mrec

Não suporto o choro de mãe.

Nenhum filho vive o suficiente para suportar o choro da sua própria mãe, para ver enfraquecer emocionalmente quem nos guardou a sete chaves toda a vida com uma força que nenhum filho saberá suportar. Muito menos viveu para ouvir o soluçar, para sentir o corpo tremer de um choro comvulsivo, que destrói a força que tínhamos de não nos irmos abaixo emocionalmente. Percebemos como, num momento de profunda fragilidade humana como é a morte, somos pequeninos demais para entender que esta é a única condição que conhecemos quando nascemos e levamos para o resto da vida. Que há um fim, um dia, sem data definida. Raras vezes em publico libertei este tipo de emoções, porque estupidamente achava que os homens não choravam, que nada me deitaria abaixo. Ninguém nos prepara para as eventualidades, sobretudo quando são as memórias e as fotografias a única fonte viva das pessoas. E é tão injusto, não é? 

hippie-mrec

A morte: como lidar?

A morte: como lidar? Podia ser o início de um qualquer colóquio, conferência ou simples conversa. Ajudaria imenso a pessoas que, como eu, sentem dificuldade em lidar com o que não vêem mas que dói mais do que qualquer outro sentimento. Escrevo a horas de ir a um funeral, que quis negar várias vezes ir mas que o respeito e a sensatez tiveram de imperar. Por isso vou mas algo contrariado. É que o funeral, como "celebração", deveria ser um acto privado, apenas possível para os que, ao longo dos anos, foram queridos e presentes para a pessoa falecida. Mas sabemos que, como qualquer "celebração", aparecem os abutres, as aves raras que teimam em qualificar e dosear o sofrimento dos outros, classificando-os de "coitadinho, não merecia" a "aquele ar cheira-me a esturro". É que cada pessoa lida de forma diferente com o sofrimento, e essa devia ser respeitado. E contra mim falo: odeio expôr o sofrimento em público.

hippie-mrec