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Domingo à tarde

Senta-te, desfruta e serve-te enquanto vou ali fazer uma sestinha

Domingo à tarde

Senta-te, desfruta e serve-te enquanto vou ali fazer uma sestinha

Saio porque tudo tresanda a memória

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Tudo isto cheira a memórias, boas é verdade mas não deixam de ser memórias. Há muito que não me perdia nos encantos da estação de comboios da minha vida. Na estação que me viu crescer até ao dia que deixaram de permitir que atravessássemos pela linha para ir para casa, vendo os comboios passarem como respeitáveis elementos da natureza, porque a Vila esteve sempre dividida ao meio desde sempre. Mas isto tresanda a memória por todos os lados, que o tempo nunca arrancou. 

Tudo se tornou mecânico e menos de carne e osso, e ainda imagino o Sr. Fernando, no alto da Torre (do lado esquerdo da foto, de Cotinelli Telmo, um dos maiores arquitectos de sempre de Portugal) a anunciar os comboios que vinham do Algarve, ou de Setubal, ou do Barreiro, não tendo tempo de vida para apanhar os que vinham de Lisboa. A cadência do tempo era outra e até guardas de nível havia, o senhor que levantava a bandeirola vermelha para indicar ao maquinista que podia arrancar. Se era prático nos dias de hoje? Não,não era. Mas a experiência de viver é muito mais rica sem máquinas.

Mas o que era mais presente para mim era o cheiro a óleo queimado dos comboios. Isso sim, transporta-me lá para trás de uma forma quase violenta. As pessoas, os sons, o que ganhei e o que perdi. Tudo. E por isso quero fugir, por um lado para deixar intacto um sítio onde vivi quase 30 anos e por outro porque preciso olhar de longe, como se um Deus se tratasse, para não perder o encanto que tudo isto tem para mim. O Sr. Fernando morreu faz anos mas só de pensar que morreu cheio destas boas memórias e sem ter tempo para viver esta efemeridade de tudo de hoje em dia, creio que foi feliz.

hippie-mrec

#8 Chucha-me o nabo

Sinto-me hoje inspirado pela vida. Passam 10 minutos das 6 da manhã e a chuva cai pela cidade. Os pássaros acordam, chilram e parecem dar-me os bons dias de forma sincronizada. Amanhece aqui e vai amanhecendo um pouco por todo o lado, os despertadores quase que berram, frenéticos chamando os seus amáveis donos para o dia que se avizinha. A água escorre em múltiplos banhos, olheiras multiplicam-se, maquilhadas por esse mundo fora. Os carros arrancam, o trânsito cresce, o stress aumenta, as notícias e as vozes da rádio crescem. Tudo é um sentido e o sentido na vida é tudo.

Sinto-me inspirado hoje por fazer parte da máquina que faz tudo andar, que a minha falta se fará sentir hoje no rendimento do trabalho, se fará sentir nas saudades de casa e na preocupação pela minha ausência. Em algum momento perguntar-nos-ão para onde fomos e o porquê. Faremos questão de responder. A normalidade volta a casa e voltamos a viver. Como não nos sentirmos inspirados pela vida, onde é a falha humana que provoca a falha não-humana? Como não, se tudo tem uma forma e uma certa dose de prazer na acção. A minha inspiração vem nos olhares, nos toques subtis da alma e naquele esgar silencioso que mata a compostura das donzelas. A minha inspiração assim, em forma de escrita, como se fluíssem as palavras à volta de um manto de algodão doce, que tanta serve aos olhos da imaginação, como os olhos de uma criança que tem tanto para dar e aprender.

Eu sei, talvez seja a magia do amanhecer de mais um dia. Talvez.

Mas depende de mim estar ao nível dos melhores, de estar ao nível do melhor que a vida tem para nos dar.

Inspirem-se também.

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hippie-mrec

Salvar Portugal

Chuva.

Quem nunca em criança saltou nas poças de água deixadas pela chuva? Quantos de nós, tão inocentes, chegámos a casa com a roupa vergonhosamente suja, levando ralhetes monumentais? A água foi sempre o berço da vida, e olhamos para a água com os mesmos olhos que olham os sonhadores. Gostamos de a ver à janela, debaixo de uma manta e um chá a ferver, de livro na mão esperando que se fundam as gotas que escorrem na janela com as letras que lemos. E o som, seja em enxurrada, seja aquela mais fraquinha, é um som que não iremos encontrar noutro imaginário qualquer. Ficamos a observar como se o milagre da natureza tivesse acabado de acontecer. É que a água é o berço da vida.

E hoje, como que uma prece, choveu. E como voltámos, alegres crianças, a saltar às poças, porque alguém ouviu-nos e fomos escutados. Mas desta vez havia um propósito: salvar Portugal.

 

hippie-mrec

Chega um Obrigado aos Bombeiros? Claro que não!

Nunca pensei viver o suficiente para assistir a tudo isto que estamos a viver. Os relatos que nos chegam, muitos deles pertíssimos dos próprios incêndios, dão-me uma realidade que julgava ser possível apenas em filmes nas melhores ficções de Hollywood. Ontem em alguns vídeos amadores, fechei os olhos para sentir a voz do desespero e aquilo doeu-me tanto. Aquela voz que é arrancada do fundo da alma de quem não perdeu mas tem tudo em perigo, tudo em alerta e tudo em completo sentido. Estarmos numa situação em que bens essenciais como água e a fruta revestem-se de verdadeiros banquetes, leva-nos a acreditar que a calamidade chegou e levou consigo tudo, inclusivé a vida de inocentes. Não há refúgio na religião, no positivismo, na fé, seja ela qual for. Só a agua, muita mesmo, pode salvar a saúde dos heróis e dos que heroicamente sobrevivem, e salvar o desbravar da natureza nunca antes vista. Confesso que andei verdadeiramente incomodado a noite toda, o sono e a alma, ao ver que o perigo existe, e que podemos conviver diariamente com possíveis assassinos, incendiários, terroristas, etc. 

Que chova, por amor de qualquer coisa, se há justiça divina por aí. Que chova e todos regressem a casa são e salvos.

hippie-mrec

#8 Hora da sesta

Esta crónica maquilhou-se de forma muito simples para representar o espírito de Domingo à tarde. Então se o almoço for recheado e regado, creio que ainda mais necessário se torna fazer aquela sesta para repôr energias e obrigar que todo o corpo trabalhe directamente na digestão.

Hoje permitam-me dizer que sinto-me um privilegiado por ter tudo o que tenho, por conhecer todos os dias pessoas incríveis com mentes incríveis, capazes de mudar, revirar as nossas ideias do avesso total e transformar tudo o que achamos em algo muito melhor. Pessoas que nos permitem admirar um mundo paralelo ao nosso, diferente o suficiente para sermos transportados para outra era, outro espaço incomum onde nos desafiam a acreditar que há muita coisa para descobrir. E quando acharem que vos falta sair do vosso espaço para voarem para longe de vós, encontrem as pessoas certas, só isto. 

Por vezes - eu sei, rapaziada - é difícil puxarmos a corda para um lado apenas. Eu sei disso mas isso só demonstra que a pessoa não é a certa, não é? Não se luta sozinho, não se armem em heróis porque é preciso um farol algures que nos guie sempre, mesmo que a maior parte do trabalho seja o vosso.

Mas aquela sensação de estar com as pessoas e pensar: "Foda-se! É isto, caraças. É isto!"? Encontrei-a ontem, numa - vou-lhe chamar assim - experiência de vida com 8 pessoas maravilhosas. Mais do que a escrita, os sonhos e os afazeres, as pessoas são de carne e osso, e que riem e choram à mesmo velocidade da luz. E não há mais nada de belo nisto tudo do que vivermos, e de termos a oportunidade de ver viver os outros. 

Obrigado Rita.

 

 

hippie-mrec

#8 Follow Friday -The Daily Miacis

Já merecia uma homenagem, ou não?

Tem 3 espaços com tudo o que agrada a qualquer pessoa, muita criatividade, demonstra ser uma excelente pessoa e o que queremos mais?

 

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Falo-vos da The Daily Miacis que tem um talento natural para agradar com a sua escrita, e...em vez de andarem aqui a ler isto já lá deviam estar 

 

Marcamos encontro por lá? É que já lá estou!

hippie-mrec