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Domingo à tarde

Não gostas, queres ver!

11.03.18

Ainda comem papo-secos?


Que refrescante que é levar 150kg de material de proteção para a chuva e ela acontecer nos períodos em que não estou na rua. Refrescante e bonito, como se tratasse de uma fábula para crianças sobre o poder do trabalho, do sacrifício e do "Visses o tempo oh palhaço!" - necessário para os mais pequenos.

No entanto, o comboio arranca e eu vou estendendo-me ao comprido no banco, desrespeitando o mínimo de bom-senso porque os outros também merecem sentar-se, e aparentemente não estou a deixar. Fi-lo depois em Braço de Prata, essa parte de Lisboa que carrega anos e anos de exploração industrial e de carcaças de fábricas e coiso, porque me senti mal, e se não era rebelde aos 15, muito menos serei aos 30 porque passaria apenas por estúpido que quer voltar a ser adolescente parvo.

E por falar em carcaças, fiquei com fome. Mas não fome de papo-secos que têm em mim uma aversão atípica por esse tipo de pão (antes que digam "há quem não tenha nenhum", devo admitir que não nego o pão, nem a mim nem a ninguém) porque aquilo tem um bocado de massa, um bocado de miolo e o resto é composto por ar. Se calhar foi idealizado para conter a despesa às pessoas porque o ar, em princípio, ainda é gratuito - pelo menos aqui.

 

Voltando atrás: acabei por dar espaço ao respeito e aos bancos, ao meu lado e à minha frente, a três rapazolas visivelmente cansados porque a idade, como se sabe, não perdoa - nem agradeceram mas tinha melhor cabelo que eles.

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