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Domingo à tarde

Senta-te, desfruta e serve-te enquanto vou ali fazer uma sestinha

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13
Mai18

Desabafo sincero de um Sportinguista

David Marinho

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 Para quem é Sportinguista, não há um que não esteja em estado de sítio neste momento, e falo daqueles que perdem o sono com estas coisas, que é o meu caso (quem não perde o sono, o estado de sítio dura pouco). O Sporting perdeu e perdeu bem. E a palavra que me vem à cabeça é discernimento, que é coisa do passado e que não existe mais. A visão do adepto é uma visão romântica: do clube e do desporto que representa. É uma visão que se distancia muito do negócio, da estratégia, do fundamento, de tudo - é ganhar e pronto. Mas é uma visão perigosa porque quando se perde, o lado romântico redunda muitas vezes em frustração exagerada e uma complexidade de emoções que põe em causa tudo o que de bom possa ter acontecido durante aquele(s) dia(s).

Foi o que me aconteceu.

Não é fácil digerir, e poderei aplicar isso na vida, uma expectativa gorada. Mais ainda quando uma sucessão de acontecimentos nos leva a ter um defeito enorme que é o de não saber perder (e de não saber ganhar às vezes), e de extravasar o sentimento no momento a quente. E isto acontece, sobretudo, pelo desconhecimento que outras pessoas têm do fervor que detemos pelo nosso clube. Há pessoas que não entendem como isto é levado tão a peito, que é de coração e nos envolve mais do que a própria vida - simplesmente não percebem. Mas a grande verdade é que há pessoas que vivem disto, com a mesma intensidade com as coisas que o comum dos mortais vive, e isso é pouco entendido. 

Não briguei com ninguém, atenção.

Mas quem vive mais de 60 jogos por ano de várias modalidades, que vai ao estrangeiro, algumas deslocações pelo país para ver o clube (que é o meu caso), posso garantir que já vi de tudo, vivi momentos desde tensos a memoráveis e testemunhei desde momentos podres do desporto a momentos belos que podiam ser transmitidos com músicas bonitas em todos os ecrãs de todos os estádios e pavilhões. E quem passa grande parte da sua vida nas imediações de Alvalade ou no João Rocha, quem vê crescer ao longo do tempo as estruturas do clube e das equipas, ganha uma consciência de pertença e amor, que só pode ser comparada com alguém que nos é muito, muito especial.

É por isso que não gosto de perder, sobretudo perder pela fraca gestão emocional e física da equipa. Vivemos num estado tal de sobressalto, que estou em crer que não sabemos viver num estado normal. E estou triste por, no meio de tanta coisa boa que o Sporting me deu, haver frustrações que me deitam baixo, que me deixam à beira de um completo ataque de nervos. E a natureza humana, sobretudo no futebol, revela-se de uma forma particularmente evidente.

Foi um desabafo e amanhã volto com parvoíce.

 

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