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14
Ago17

Desarranjo intestinal

David Marinho

Quem nunca obrou com a corda ao pescoço, não sabe o que é viver na plenitude das suas capacidades. Todos nós já passámos pelo momento complicado de ter de lidar com um desarranjo intestinal, certo? Certo. E lidar, principalmente, com a dificuldade de encontrar um sítio digno, minimamente limpo e de preferência afastado da humanidade em, pelo menos, 500 metros, para obrar. Por duas razões: o desarranjo é meu, faço questão de ser eu a aguentar o cheiro a enxofre fora de prazo que por vezes vem das profundezas das minha miudezas, deixando a qualquer outro ser vivo a opção de fugir o quanto antes; e segundo, gosto de me expressar sem censura numa casa de banho. Pouparia a audição de sons chocantes, ligeiramente metálicos às vezes, de algo que parece um gerador a gasóleo agrícola, prestes a pifar porque devia ser Sem Chumbo 95 e não foi. E deixem-me explicar por palavras o que se sente quando, já no leito da caganeira aguda anunciada, conseguimos finalmente libertar o demónio em forma de feze: é espectacular. Creio que naquele momento, é dos poucos momentos em que não pensamos em nada nem ninguém, em nenhum problema ou complicação. Só pensamos na presença de suores gelados a desaparecerem, nas contas que fazemos à probabilidade que tínhamos de nos borrarmos todos por aí e que não aconteceu.

 

Lanço duas palavras para reflectirem: Ultra Levur.

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