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Domingo à tarde

Vais dizer-me que não gostas...

Domingo à tarde

Vais dizer-me que não gostas...

24.Ago.17

Lembram-se disto?

Enquanto passeava no sono, pensava no quão real os sonhos e as imagens que traçamos na nossa cabeça podem ser tão reais e transparentes. 

 

Eis o que me lembro:

 

Enquanto me sento nas escadas do alpendre da casa do meu primo C., reparo no ar distante dele

- Então, há muito tempo aqui? 

- Olha acabei o que queria fazer e vim tomar conta dos pequenos. 

Viramos a cabeça ao mesmo tempo para o sítio onde estavam as crianças e ali ficámos a segui-las com o olhar

- Imaginavas tudo isto há 10 ou 20 anos? 

- Não, nada, mas é seguramente melhor do que pensava. 

- No outro dia lembrei-me de todos nós, um arraial de primos, tios, tias, netos, avós, pais, irmãos, tudo...em Tróia, quando ainda era a nossa Tróia. 

- Os barcos verdes e brancos...pois é, lembro-me tão bem. 

- Metade da praia era nossa! 

E rimos os dois. Muito.

- Levávamos panelas, uns quê...7 ou 8 chapéus? 

- E mandarmo-nos para a água ainda o barco estava a atracar? Isso sim! 

O semblante do rosto cai em ambos

- É, tenho é saudades da despreocupação, da irresponsabilidade, de sentir que o tempo passava muito mais devagar, isso sim! 

- Parece que tudo é tão rápido agora, né? 

 

E acordei. Acordei a olhar para o horizonte escuro do meu quarto, sem o barulho, sem as crianças, sem alpendre ou natureza alguma para se fazer ouvir. 

E reflicto. Reflicto este tempo que corre e nós, impotentes, vamos correndo atrás dele. 

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