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Domingo à tarde

Vais dizer-me que não gostas...

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04.Ago.17

Ministério da Justiça deveria contratar o Facebook

Senti que devia escrever sobre o caso da avioneta e sobre o lodo em que vivemos enquanto sociedade. Deixámos de ter ao longo das décadas o dom de comunicar fisicamente com as pessoas, deixámos até de ter contacto real com pessoas e a animosidade delas também foi por água abaixo. Deixámos de ter curiosidade em procurarmos a informação, de procurarmos as fontes, de buscar a verdade universal das coisas. Chegámos ao cúmulo de haver carros automáticos, cozinhas automáticas, telemóveis sem ecrã e até podemos falar com ele porque é uma bela companhia. E ao deixarmos tudo na nossa vida ao cuidado das máquinas, matámos o cérebro, matámos a virtude das pessoas e sobretudo o bom-senso. Hoje tudo julga, tudo critica e tudo faz de maneira diferente, tudo para melhor. Hoje qualquer alma (de)penada senta-se confortavelmente na sua poltrona e questiona: "como poderei captar a atenção para mim?". Houve, algures em 2017, uma avioneta que TEVE de aterrar de emergência e aterrou numa praia. Houve, algures em 2017, uma avioneta que TEVE de aterrar de emergência, aterrou, matando com ela duas pessoas, umas das quais uma criança. Houve, algures em 2017, uma avioneta que TEVE de aterrar de emergência, aterrou, matando duas pessoas, umas das quais uma criança, que num momento de aflição não amarou, conseguiu não se despistar, não previu matar pessoas. Depois disto, algures em 2017, alguém teve a inteligência de filmar com um drone o sucedido porque tudo aquilo é lindo de se ver, quiseram a cabeça do piloto a prémio e a de um pai, que era o pai da criança, que deixou subitamente de ser pai duplamente. Uma porque perdeu claramente o maior tesouro da sua vida, e segundo porque naquele momento o ESTADO DE CHOQUE deixou de existir na cabeça das pessoas, sendo que a atitude dele foi simplesmente frieza. Num momento destes esperavam gritos, choro compulsivo, uma cena homicida de um pai contra o piloto que matou a sua filha. E entrevistam crianças, procuram as vítimas para filmar, o piloto, tudo, quando o momento pedia apenas informação e respostas a quem de direito, que não estaria certamente ali nem naquela altura. Não concebo que vivamos num mundo em que não haja necessidade de educar, de aprender, de tomar os valores correctos. Concebo ainda menos viver num mundo em que além de descurarem tudo o que valeria a pena, fazem questão de chafurdar na merda, mostrar que chafurdam e dizer que a merda cheira realmente a merda. Se não viveram em estado real de choque, ao menos não julguem quem viveu, quem vive e quem a vida tratará de o fazer. Não julguem o que não sabem, o que não viram, o que não apuraram de verdade. Não julguem só porque viram na televisão e resolveram tirar curso de Psicologia naquele momento. Não julguem porque leram nos jornais. Julguem o que vivem, o que são e o que pretendem para vocês mesmos. Julguem se conhecerem, se souberem tudo, se lidarem com a situação.

 

E respeitar a dor dos outros, será assim tão difícil?

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