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Domingo à tarde

Senta-te, desfruta e serve-te enquanto vou ali fazer uma sestinha

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12
Mar18

Morreu o Almeida

David Marinho

Estava eu e o Zé na paragem dos autocarros e veio ele com a conversa do costume, ou pelo menos eu achava:

 

- Oh David, sabes lá - e olha para o fim da rua a ver se vem lá o autocarro.

- O quê?

- Conhecias o Almeida? Aquele filho de 30 putas?

- O do café Amália? Conhecia.

- Esse, esse!

- O que é que tem?

- Fez-me uma desfeita, esse cabrão!

- O Almeida? Mas era tão bom rapaz.

- Pois era mas quando achas que conheces as pessoas...

- Mas o que aconteceu, homem?

- ...morreu, foi o que aconteceu...não se faz

 

O Almeida era um tipo às direitas e para o bebedolas do Zé era ainda mais, porque lhe oferecia um copo de vinho na compra de outro - o Zé dizia que aquilo era 50% de desconto e que ninguém o negasse. O Café Amália era a sua casa desde os tempos de Ultramar quando foi combater para lá contra a sua vontade. Quem se lixou foi a mulher dele, Constança, que de doméstica e domesticada, passou a patroa, doméstica e com o credo na boca à custa do seu homem, com quem casara em 67.

 

E o Zé era o borracholas da aldeia. Bebia desde os 9 e dizia que o café era o pior dos pecados dele, porque não entendia porque raio não se tinha feito café com álcool. Dizia-se o Ronaldo das doenças só porque era o melhor do mundo a fintar a cirrose e a morte.

 

Eu quem sou? O tipo que segurou sempre o Zé para que a GNR nunca o fosse encontrar na valeta, caído de bêbado. Isso e para o levar ao hospital quando a doença o atacava e ele se safava uma vez mais, atracando depois a bom porto no Café Amália para comemorar com bebida o que a bebida ainda não fora capaz de fazer: matá-lo.

 

Constança...agora já podes ir buscar a indemnização pela morte do Almeida. Senão vou lá eu que o Zé ainda gasta tudo em vinho. Do carrascão.

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