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Domingo à tarde

o que faço para o jantar?

Domingo à tarde

o que faço para o jantar?

"Nós depois conversamos!"

Quem nunca ouviu isto.

Acho que nunca senti tanto medo, e olhem que o terror de uma criança, além de genuíno, deixa mazelas.

O medo de não saber o que se passava, o que foi feito ou o que iria acontecer. Não saber se iria cair uma chinelada, uma mão mortífera que deixaria marca, um calor localizado difícil de esquecer ou até a vergonha de nos gritarem no meio da rua, porque na escola tentávamos encontrar a nossa identidade mas em casa éramos os verdadeiros "conas".

O medo desesperante de querer ver resolvido no momento em que se proferia estas palavras, mas que só iria acontecer horas depois ou nunca, caso a progenitora se esquecesse do sucedido. Aqui aprendemos da pior maneira como deveríamos ajudar em casa, a comportarmo-nos ou a perceber quem manda. É que às vezes servia para nos calar, para não chorar ou para ver o quão frágeis somos perante tal autoridade.

O medo.

Hoje só o "Vai despejar o lixo" soa-me a ultimato e chego a acreditar que um dia ainda me manda com um caixote cheio em cima. Porque vamos sempre a tempo de aprender.

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