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Domingo à tarde

o que faço para o jantar?

Domingo à tarde

o que faço para o jantar?

Obrigado.

Sabes, eu sei que tomaste em tempos conta de um mundo inteiro, e que foste tratando dele como nenhum outro tratou. Levaste contigo toda uma armada que, buscando um sonho quase impossível, atingiu um patamar que nos elevou ao topo, de onde nunca devíamos ter saído. Os anos foram passando, as coisas cresceram, menos tu - afinal, as coisas pequenas nunca deixam de ser apreciadas, não é verdade? E todos foram acompanhando tudo o que fazias, o que falavam de ti e o que te iam fazendo, mas aguentaste-te uma vez mais, com sempre.

Como consegues? É truque, não é?

Creio não haver quem sofresse tanto como tu, que outrora vivia a felicidade de albergar gente valorosa, corajosa, doida como só tu conseguuias (e consegues) fabricar. Eu não vejo isto na nossa vizinhança nem nos pontos distantes de ti, e esta é a maior homenagem que te posso fazer: a de seres único, soberbo, sobrenatural.

Conheço-te há pouco tempo mas faço questão de ir buscar as tuas memórias que certamente te vais esquecendo aos poucos - afinal, já não vais para novo, não é? Mas continuas a querer ser o avozinho fixe, que as gerações que nos precederam querem continuar a ouvir, a cantar-te e a amar-te, tanto quanto as gerações vindouras, certamente.

Todos os dias vamos devolvendo um pouco do que nos ensinaste a ser, a viver essa palavra que não tem tradução em nenhuma outra língua que não a nossa...saudade. Mas é bom saber que, mais do que a tua idade, nunca passas de moda e vais sendo entoado pelas bocas de todo o mundo, cada vez mais pelos melhores motivos. 

Deixa-me orgulhoso, vagamente apaixonado. Dá-nos a capacidade de te mostrar, todos os dias, de que somos capazes, que vamos conseguir amar pelos dois.

Obrigado Portugal.

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