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Domingo à tarde

Senta-te, desfruta e serve-te enquanto vou ali fazer uma sestinha

Domingo à tarde

Senta-te, desfruta e serve-te enquanto vou ali fazer uma sestinha

22
Jun18

Voltar a Salamanca

David Marinho

Hoje apetece-me falar de Salamanca.

Já lá foram? Então façam questão de ir, seja qual for a resposta.

Eu nasci e vivi toda a minha vida numa terra de ferroviários. Desde o barulho dos comboios, o fumo, o cheiro a óleo queimado, o Intercidades que vinha do Barreiro, o Regional que partia de onde moro, a azáfama para Vendas Novas, Setúbal, Évora ou para o Algarve. Era ali que tudo acontecia, e tinha de passar por ali para ir à outra parte da vila - sempre foi assim e sempre será. 

Não é por acaso que desenvolvi desde criança uma paixão pelos comboios, e por tudo o que representam na vida das pessoas, longe do negócio e das greves, que isso são outras contas. E foi por isso que quis até ao ano passado apanhar o comboio-hotel para ir a Madrid, experimentar o serviço e a sensação de viajar para o estrangeiro noutro meio de transporte que não o avião ou o carro.

Devo dizer, afastando-me do panorama, que é uma viagem demasiado grande e cansativa, mas que vence realmente pela experiência, e foi com esse espírito que encarei a viagem, como aliás, encarei a vida.

Pelo meio, e foi pensado, parei em Salamanca. Queria conhecer uma das maiores cidades de Espanha e uma das mais históricas cidades da Península Ibérica. E antes que continue, preciso de vos fazer uma pergunta: já se sentiram numa cidade como se ela fosse a cidade da vossa vida? Foi isso que senti nesta, simplesmente.

Não me perguntem se foi a parte histórica, a limpeza da cidade, o facto de ter uma café português, da simpatia das pessoas. Eu senti-me em casa, capaz de ficar lá. Tem a Plaza Mayor que é um sítio inacreditável durante todo o dia, até altas horas da noite, cheio de juventude, simpatia e luz, quer da cidade, quer das pessoas. Tem as Catedrais, que mostram uma arquitectura e grandeza assinaláveis, a Casa das Conchas, que é extremamente bonita, além de poderem constatar os efeitos que o Terramoto de Lisboa de 1755 causou na cidade, por exemplo, na Torre de las Campanas, com um pequeno vídeo demonstrativo que mostra perfeitamente onde estão as falhas estruturais da torre.

É por isso que vou voltar, com muito mais calma e tempo para apreciar muito mais. E recomendo que passem por lá, bebam um copo e desfrutem. Pode ser que nos encontremos por lá.

 

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24
Fev18

Fod€#€& que está frio!

David Marinho

IMG_20180224_082709.jpg

Roma-Areeiro, Lisboa, Portugal, Europa, Mundo, Via Láctea, cagagésimos de partículas. 

E eis que é aqui, a estas horas lindas da manhã, que me dói um pé, uma perna, um joelho e uma alma inteira com o sono que tenho. 

É aqui que apanho um frio descomunal com 45 cêntimos na carteira. Podia levantar dinheiro, mas a minha incapacidade para levantar 10€ para pagar um café e depois gastar o resto em coisas, faz-me recuar e apreciar a vida a temperaturas mais baixas, que faz encolher o real tomatito.

 

Bom dia.

03
Jan18

Comboios que são como a vida

David Marinho

Sai mais um atraso

Para os que, como eu

Ainda não se renderam

À combustão do seu espaço 

Pagando portagem

Pagando combustível 

Pagando o selo e o selinho

A inspecção que é tudo

Menos inspecção. 

 

Ou então

Renderam-se às evidências 

Que o tempo é tão curto 

Para tanta poupança

Que vale mais um atraso de uma hora

Que o atraso de uma vida.

 

A bordo de um comboio que engripou, parou por doença de alguém e ainda esperou pelos seus semelhantes que estavam atrasados. Aqui acontece tudo, é um bocado como a vida. 

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