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Domingo à tarde

Não gostas, queres ver!

Domingo à tarde

Não gostas, queres ver!

10
Set17

Imaginei-me...

David Marinho

Imaginei-me descalço

na terra batida carregada de emoção

de bola de trapos, de papel

de arame, a brincar

com os amigos do peito

dos que ficam no coração.

 

Imaginei-me a jogar ao berlinde

no relvado que findou

foi o pedaço de terra batida

e o amigo derrotado

que mesmo tendo falhado

em mim ficou.

 

Imaginei-me noutra década

novo a pensar na desgraça

que a vida parecia dura

aos olhos de uma criança

que a confiança dela

metia cá uma graça.

 

Hoje imagino-me nu

dessas brincadeiras que não posso ter

porque a criança que fui, já foi

e porque o sol que se faz cá fora mói,

e assim vivi a vida

sem saber.

06
Set17

#2 Chucha-me o nabo

David Marinho

Vai começar a escola e com isso vai começar o meio alívio dos pais que terão alguma liberdade para fazerem o que quiserem. No máximo continuará a ser o mesmo porque só viam os filhos depois do trabalho e em princípio depois do trabalho já eles saíram da escola. 

Há dias lia uma senhora brasileira que dizia que, apesar de amar o filho incondicionalmente, que a maternidade lhe tirou muitos anos de vida. Inundaram-na de soco e pontapés virtuais por essa Internet fora, apenas por dizer a verdade. Eu li alguns comentários e tenho a tecer o seguinte: o amor não está dependente de palavras bonitas, e muito menos está dependente de actos que sejam bonitos ao olhar. O amor está em cuidar, em ser-se cuidadoso, em demonstrar que o corpo e a alma estão lá e não mascarando com papéis de parede, como muito se vê nas redes sociais. Depois é o problema da interpretação. Eu ao dizer que não tenho condições, por exemplo, para ter um cão, não quer dizer que não goste deles. Simplesmente não abandonei algo que nunca tive, e para não o fazer não o tenho. Aconteceu o mesmo com esta senhora mas com uma criança. Certamente não tinha condições emocionais, financeiras, para suportar uma criança e já que tem o contrato assinado para a vida (moralmente falando, porque infelizmente doar para adopção é uma possibilidade mas é preferível do que "despachar a criança" como se vivêssemos em outros tempos bárbaros) não quer dizer que não faça tudo para a suportar. Mas que ainda assim pode ter a sua opinião formada. E aquilo que me apercebi nisto tudo foi:

  • Muitas mães partilham da mesma opinião;
  • Muitas não partilham por respeito a quem não pode ter crianças;
  • Muitas outras não partilham porque não pensam da mesma maneira, e então acham que além delas tudo é um absurdo imenso. 

Precisamos muito de repensar na forma como vemos as coisas, e que não temos culpa se a bonança cresceu em certos lares e no nosso lar não. Aceitar a nossa própria condição e/ou realidade é meio caminho andado para respeitarmos o próximo. Ninguém nasce rico ou ensinado. É com a vida que nos vamos apercebendo quem somos, de onde viemos e para onde vamos. Por isso respeito muito o que a mãe da criança disse, e respeito igualmente quem não pode ter filhos. Só não respeito quem não admite (publicamente ou não) que há pessoas que têm opiniões contrárias da sua e que são igualmente válidas.

 

29
Ago17

"Nós depois conversamos!"

David Marinho

Quem nunca ouviu isto.

Acho que nunca senti tanto medo, e olhem que o terror de uma criança, além de genuíno, deixa mazelas.

O medo de não saber o que se passava, o que foi feito ou o que iria acontecer. Não saber se iria cair uma chinelada, uma mão mortífera que deixaria marca, um calor localizado difícil de esquecer ou até a vergonha de nos gritarem no meio da rua, porque na escola tentávamos encontrar a nossa identidade mas em casa éramos os verdadeiros "conas".

O medo desesperante de querer ver resolvido no momento em que se proferia estas palavras, mas que só iria acontecer horas depois ou nunca, caso a progenitora se esquecesse do sucedido. Aqui aprendemos da pior maneira como deveríamos ajudar em casa, a comportarmo-nos ou a perceber quem manda. É que às vezes servia para nos calar, para não chorar ou para ver o quão frágeis somos perante tal autoridade.

O medo.

Hoje só o "Vai despejar o lixo" soa-me a ultimato e chego a acreditar que um dia ainda me manda com um caixote cheio em cima. Porque vamos sempre a tempo de aprender.

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