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Domingo à tarde

Não gostas, queres ver!

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30
Nov17

Escrever em Portugal

David Marinho

Escrever, é tudo o que faço quando tudo o que havia para fazer já foi feito. E escrevo para desafiar as palavras, equilibrar a musicalidade das coisas, o conceito, o conteúdo e o preceito. E escrevo quando as horas me chamam, de manhã à noite, entre feriados e não feriados. O acto é puro, como as minhas palavras, e é por isso que sonho muito, para poder desabafar, falar na solidão que me contém quando escrevo. É que além de puro, o acto é solitário, desconhecido e fundamental. Não basta ter ideias e palavras bonitas, é preciso senti-las. E cada sentimento na nossa língua tem uma palavra ou um palavrão, e é por isso que fico, deixo-me estar porque há coisas que não encontrarei em outro lado. Pudessem todos os outros ter a nossa língua onde pudessem beijar o céu e o coração, gemer de prazer e exclamar de satisfação, tudo ao mesmo tempo, e seríamos todos versados na felicidade que tanto falta a Portugal. 

21
Nov17

Porquê perder tempo?

David Marinho

O tique-taque das horas não perdoa, a menos que deixemos de lhe dar corda. E isto podia a metáfora para grande parte das situações do dia-a-dia, da vida em geral. É a corda que nos segura, nos ampara e nos favorece. O problema é quando dependemos de um fiozinho, fraco e indefeso, acabamos por nos separar daquilo que nos mantém. Vou-vos contar uma história: havia um menino (vou chamar-lhe Pedro) que tinha uma alegria infindável, contagiante, soberba até. Certo dia, uma dor assombrou-lhe o baixo ventre e, por entre vómitos e dores horrorosas, Pedro e os pais vão ao hospital mais próximo. Entre pulseiras das cores do arco-íris e o ser atendido, contei-lhe 4 horas. As dores cresciam, ao contrário das palavras de conforto que começavam a escassear. Mas vamos poupar ao leitor maior demora: o Pedro tinha cancro.

 

Uma criança que era a luz dos olhos dos seus pais, dotada de uma felicidade infinita, vê-se nas amarras frágeis de uma doença como esta. Os pais, em completo desespero, temem por tudo, até pelas parcas palavras que têm para lhe dizer, ao seu mais que tudo. 

 

Isto tudo para quê? Para vos dizer que as cordas são feitas de pequenos fios todos juntos. Ao longo da vida eles vão partindo e vão enfraquecendo todo o conjunto. É definitivo, nenhuma matéria é imortal.

 

Por isso pergunto: Porque raio andamos a perder tempo com o que não interessa?

 

Bom dia. 

13
Set17

#3 Chucha-me o nabo

David Marinho

O que nos faz verdadeiramente felizes?

Não é sentirmo-nos bem mas a felicidade propriamente dita.

Alguém é verdadeiramente feliz? É possível ser-se realmente feliz a longo prazo?

Pensei muito nisto, quando no comboio apinhado de gente, fiz questão de desligar a música para reparar e ouvir as pessoas. Tudo é um desmazelo, uma complicação e horas difíceis. Tudo é motivo de discussão logo pela manhã, chatices para resolver e contas para pagar. Tudo é razão para desconfiarmos, para não falarmos ou simplesmente para não crermos nas coisas. Ninguém está feliz quando se sente preso ao quer que seja. Os que trabalham para pagar contas, os que têm relações complicadas mas acham que é melhor assim do que não ter ninguém, os que têm o tempo contado, a vida limitada por tudo e por nada. Depois quando se podem deitar numa espreguiçadeira algures num aldeamento no Algarve, isso para eles é a melhor coisa do mundo. Nada contra o Algarve e bem sei o bem que faz aproveitar o Verão algarvio mas já tinha tocado neste assunto: nós vivemos muito pouco. Será que trabalhamos muito e bem, muito e mal, pouco e bem ou pouco e mal? Será que conseguimos ganhar mais ou menos dinheiro? Será que existe muito ou pouco comodismo? Será a cabeça um obstáculo? Será o medo terrível de falhar um obstáculo? E filhos, têm filhos? Amam os vossos filhos verdadeiramente? Educam os vossos filhos verdadeiramente? Ou são um obstáculo na vossa vida?

Afinal porque somos infelizes? É tudo junto? Há razões específicas? Não sabem sequer o porquê?

Eu faço estas perguntas todos os dias. E luto para ultrapassar todas as razões. E faço questão que me acompanhem porque viver num mundo de pessoas infelizes acaba por trazer infelicidade. E é isso que querem?

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