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Domingo à tarde

Não gostas, queres ver!

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01
Dez17

Temos forma de lidar com o sofrimento?

David Marinho

Este falecimento do Zé Pedro fez-me pensar muito sobre a morte, o desaparecimento da vida, sobre tudo. Não a figura em si, que era muito conhecida e eu cheguei a vê-lo ao vivo mais do que uma vez, mas tudo o que recai sobre o momento.

Nós ao longo dos séculos fomos inventando tudo o que não havia, e fomos melhorando o que já estava feito. Inventámos até forma de prolongar a vida, sabendo que evitar a morte era inconsequente mas prolongámos o tempo que nunca foi nosso. Mas nunca soubemos inventar forma de ultrapassar no momento a falta, a saudade, o desaparecimento. O sofrimento que fica por não vermos, não falarmos, não escutarmos o que não existe, para isso nunca ninguém inventou o que quer que seja, e eu não consigo perdoar uma falha dessas. Não há livros de auto-ajuda, palavras de conforto para preencher o vazio porque a única forma que encontrámos para preencher a lacuna foi com conhecimento ou conteúdo. E um corpo morto não tem nem uma nem outra. Já diziam os humoristas que o humor existe porque somos o único ser que tem consciência que vai morrer, e eu não discordo. Sabemos o destino mas não sabemos lidar com ele senão a rir, mas nada disto nos faz rir. 

E foi nisto que pensei, que devíamos inventar forma de lidar com o sofrimento. A humanidade agradece.

 

21
Nov17

Porquê perder tempo?

David Marinho

O tique-taque das horas não perdoa, a menos que deixemos de lhe dar corda. E isto podia a metáfora para grande parte das situações do dia-a-dia, da vida em geral. É a corda que nos segura, nos ampara e nos favorece. O problema é quando dependemos de um fiozinho, fraco e indefeso, acabamos por nos separar daquilo que nos mantém. Vou-vos contar uma história: havia um menino (vou chamar-lhe Pedro) que tinha uma alegria infindável, contagiante, soberba até. Certo dia, uma dor assombrou-lhe o baixo ventre e, por entre vómitos e dores horrorosas, Pedro e os pais vão ao hospital mais próximo. Entre pulseiras das cores do arco-íris e o ser atendido, contei-lhe 4 horas. As dores cresciam, ao contrário das palavras de conforto que começavam a escassear. Mas vamos poupar ao leitor maior demora: o Pedro tinha cancro.

 

Uma criança que era a luz dos olhos dos seus pais, dotada de uma felicidade infinita, vê-se nas amarras frágeis de uma doença como esta. Os pais, em completo desespero, temem por tudo, até pelas parcas palavras que têm para lhe dizer, ao seu mais que tudo. 

 

Isto tudo para quê? Para vos dizer que as cordas são feitas de pequenos fios todos juntos. Ao longo da vida eles vão partindo e vão enfraquecendo todo o conjunto. É definitivo, nenhuma matéria é imortal.

 

Por isso pergunto: Porque raio andamos a perder tempo com o que não interessa?

 

Bom dia. 

21
Ago17

Morte, és inacreditável

David Marinho

2017-02-05 16.33.19.jpg

Não é um dia feliz. E não, não é por ser segunda-feira. Inevitalmente, das poucas coisas que me deixa arrasado, voltou a revelar-se. Morreu, não um amigo porque não tínhamos qualquer trato, mas morreu uma companhia de vida, de escola, de vista se assim quiserem. Doutourado, estudioso, revolucionário, e grande apreciador da História e das grandes causas morreu ontem com 31 anos de idade, vítima de cancro. Continuo sem perceber porque levam as grandes pessoas e vão deixando aqui e ali as piores para acabarem com isto tudo. Sabem, o meu maior medo é o de não viver o suficiente, tal como ele não viveu. E esta coisa de saber que tudo isto tem um fim um dia, faz-me acreditar nesta urgência de viver, na urgência de fazer tudo e bem. E cometemos o pecado de esquecer quase tudo até que esse tudo acaba. E depois?

Não é a morte que me assusta mas saber que hoje nós podemos ver, sentir as pessoas e amanhã elas partem sem avisar. Não é justo, não há qualquer tipo de justiça nisto, nem critério, nem nada que valha. Devíamos todos morrer velhos, da velhice quando o corpo já pede descanso. Com 31 anos? Come on!

Hoje não é um feliz dia, mas a vida continua, não é? 

 

Boa semana domingueiros.

(não quis uma imagem de luto, a preto e branco. Simplesmente era o sítio que gostaria de estar agora, e que fazia mais sentido)

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