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Domingo à tarde

Não gostas, queres ver!

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20
Nov17

Incapacidade para sofrer

David Marinho

Às vezes penso que sou demais. Outras que sou menos, muito menos, mas em todas elas eu dei o que tinha, e em muitas delas o que não tinha. Umas vezes venci, outras perdi e outras perderam-se por aí como se fossem farrapos a esvoaçarem no deserto entre o que existe e o que não existe na minha vida.

Vivi todo este tempo a acreditar de forma ingénua nas pessoas, pensando que o destino das coisas estaria nelas. Quão errado eu estava em pensar que se não fizesse nada ao mundo, que ele próprio se regenerava sozinho, que estúpido! Ferido de morte (o mundo), amavelmente destruído (o mundo), e eu ingenuamente enganado em toda a minha plenitude. O que vale é que aprendemos sempre desta maneira, não é? No limite da impossibilidade.

E bastou ligar a televisão para perceber que estamos no fim. Que nada agrada a ninguém, e que a maior futilidade é ser-se feliz. (Felicidade...que coisa  tão ridícula e distante). Vamos um dia ouvir dizer que a felicidade foi o que destruiu tudo isto, a harmonia das coisas e das pessoas. E aí vamo-nos rir, porque tudo é mau e porque parece ser mais fácil rir-se da maldade dos outros.

E agora vou beber um café numa esplanada ao sol, olhando de soslaio para quem passa e se ri da minha incapacidade para sofrer e me auto-mutilar com as mesquinhices da sociedade.

Adeus.

11
Out17

#7 Chucha-me o nabo

David Marinho

Ontem, em pleno Estádio da Luz, bem perto de cinco mil Suíços, vi-me numa situação que me fez pensar muito. Havia um rapazinho, talvez com 10 anos,que foi com o pai ver um simples jogo de futebol. Ao começar, vejo que o miúdo se levanta e vomita. O que se sucedeu é que me fez pensar: pessoas que enojadas (não só pelo momento em si) olharam para o que aconteceu como algo indelicado, que não se devia suceder e como se só acontecesse a pessoas mal criadas. E saíram do sítio chateadas (algumas duas filas abaixo, vejam só) e algumas ficaram de pé noutra banda do estádio. Eu simplesmente subi uma fila porque a zona estava salpicada mas a falta de compreensão por uma coisa que ninguém gosta mas que pode acontecer a qualquer um faz-me tremenda confusão (e não é só nestas coisas), como se o miúdo como que para chamar a atenção tivesse que vomitar. Eu chego à conclusão que me faz confusão pessoas no geral, que vivemos num mundinho onde se dessem um barraco com um computador, telemóvel e internet chegava perfeitamente para viverem, longe da sociedade em geral. Ninguém compreende o espaço/tempo do próximo, não compreende que cada ação tem um pretexto e tem uma solução. Preferem entrar pelo campo da estupidez, levando a que o pai, incomodado claro, tivesse que abandonar a bancada e ver o jogo perto da zona das pessoas com deficiências motoras. Que mundo é este que, ao invés de acordar para a vida, adormece em cima da morte anunciada? Que pessoas são estas que permitem que um pai tenha de levar o seu filho numa situação complicada para longe dali por se sentirem (essas pessoas) visivelmente incomodadas pelo gesto? Não sujou praticamente nada, não tinha cheiro, nada. Bem o pai me pedia desculpa, por uma coisa que pode acontecer a qualquer um. Enfim...

29
Set17

Já pararam para observar o mundo a girar?

David Marinho

Às vezes sento-me e deixo-me estar a ouvir o que a vida tem para me dizer. Por vezes são os passarinhos que andam doidos a viver a sua vida em pleno, tentando equilibrar as suas capacidades com tudo isto que parece ser feito para todos nós e não para eles. Outras são o apitar frenético de nervosismo de condutores que definitivamente não dormiram bem e que terão de descarregar no próximo. Outras são os aviões, que rasgando o céu, fazem-me sonhar em viajar, viajar, conhecer os outros lados do mundo. Outras são as pessoas, umas bocejando mais que outras, porque o cansaço é universal mas não toca a todos. E com isto perdi minutos da minha vida a perceber o quão natural tudo isto é, que tudo flui em natureza própria e que somos nós, num claro rasgo de génio, que temos sempre a intenção de tirar o pão da boca dos outros porque não queremos esta normalidade. E estava aqui a falar com os meus botões: se existem trabalhos que dependem dos erros dos outros, é porque atingimos a perfeição há muito e por isso agora vivemos apenas para manter o mundo ocupado o maior tempo possível.

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