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Domingo à tarde

Não gostas, queres ver!

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18
Out17

Saio porque tudo tresanda a memória

David Marinho

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Tudo isto cheira a memórias, boas é verdade mas não deixam de ser memórias. Há muito que não me perdia nos encantos da estação de comboios da minha vida. Na estação que me viu crescer até ao dia que deixaram de permitir que atravessássemos pela linha para ir para casa, vendo os comboios passarem como respeitáveis elementos da natureza, porque a Vila esteve sempre dividida ao meio desde sempre. Mas isto tresanda a memória por todos os lados, que o tempo nunca arrancou. 

Tudo se tornou mecânico e menos de carne e osso, e ainda imagino o Sr. Fernando, no alto da Torre (do lado esquerdo da foto, de Cotinelli Telmo, um dos maiores arquitectos de sempre de Portugal) a anunciar os comboios que vinham do Algarve, ou de Setubal, ou do Barreiro, não tendo tempo de vida para apanhar os que vinham de Lisboa. A cadência do tempo era outra e até guardas de nível havia, o senhor que levantava a bandeirola vermelha para indicar ao maquinista que podia arrancar. Se era prático nos dias de hoje? Não,não era. Mas a experiência de viver é muito mais rica sem máquinas.

Mas o que era mais presente para mim era o cheiro a óleo queimado dos comboios. Isso sim, transporta-me lá para trás de uma forma quase violenta. As pessoas, os sons, o que ganhei e o que perdi. Tudo. E por isso quero fugir, por um lado para deixar intacto um sítio onde vivi quase 30 anos e por outro porque preciso olhar de longe, como se um Deus se tratasse, para não perder o encanto que tudo isto tem para mim. O Sr. Fernando morreu faz anos mas só de pensar que morreu cheio destas boas memórias e sem ter tempo para viver esta efemeridade de tudo de hoje em dia, creio que foi feliz.

23
Set17

Não há nada como a nossa casa

David Marinho

Percebi nesta viagem ao país vizinho que o sentimento que temos por Portugal é muito semelhante ao que temos numa qualquer relação. É quando passamos o dia sem ver a pessoa amada é que percebemos que nos faz falta, que se calhar os defeitos que advém da rotina, do hábito, da comodidade afinal era por causa disso. Soube bem chegar a Vilar Formoso e sentir o cheirinho a Portugal, da sua comida, do seu café, do jeitinho bem português de ser. Não encontrei nada disto em Espanha mas sim um país que vive mecanizado,  onde tudo tem hora para acontecer. Menos humano e muito diferente do que estou habituado. Mentira, o hábito deles de sair do trabalho e irem beber um copo agradou-me. Nisso eles vivem mais do que nós, que morremos a partir das 18h. Mas Portugal...é Portugal!  

05
Set17

O tormento

David Marinho

bom dia

diz a senhora do vestido azul

bom dia

diz o senhor do fraque castanho

 

noutro tempo

de mãos atrás das costas

viviam ao relento

por beijos proibidos

à vista dessas encostas

 

educavam-se os pares

o casamento selava a liberdade

admiravam-se esses mares

de tanto escutarem

traziam sempre uma saudade.

 

e diziam bom dia, outros tempos

ninguém sabia mentir

e davam-se outros alentos

porque o tormento

não era não amar

era não sentir.

 

 

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