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Domingo à tarde

Não gostas, queres ver!

Domingo à tarde

Não gostas, queres ver!

05
Fev18

Até ao fim da vida

David Marinho

É para lá do rio Tejo que as diferenças acentuam-se, num banco de jardim, rodeado aqui e ali de montes alentejanos, e onde o vento susurra levemente e o silêncio se instala.

- António, não vens almoçar?

- Já vou, tenho tanto tempo!

- Mas precisas de te alimentar, homem.

- Eu sei, e hoje são migas e sopa de cação.

- Adoro!

- Também cabes na mesa, queres vir?

- Quero.

Comer é passatempo, quando o tempo não passa. Degustar a vida com o palato é das poucas coisas que faz pessoas como o António viver e sentirem-se vivas.

- António, há muito mais que possas viver?

- Há, mas isolaram-nos aqui.

- Não eram uma povoação isolada?

- Éramos, mas o comboio passou aqui.

- Aqui?!

- Sim, metade da aldeia trabalhava para os comboios mas como o dinheiro não passa aqui, os turistas não vêem.

- Só os autocarros...

- É...as carreiras só vão até Évora para que possamos ver gentes e coisas. Aqui vai morrendo tudo.

- E se eu tentasse mudar isto por aqui?

- Tu? - riu-se - sempre aprendi que tudo tem um fim, e esta aldeia está condenada.

- Que esperança tenho?

- Faz como os outros...vai para Lisboa que lá tens de tudo.

E folheia com as suas mãos enrugadas o Diário de Notícias. Tudo é com vagar, até ao fim dos seus dias.

20
Out17

A elegância dos tempos

David Marinho

Ao longe vejo chegar o comboio da alegria

Vem apressado o rapazote

apita e esfumaça, coitado

de linho vestido e um laçarote.

 

Os carris gritam a cada passagem

a madeira range, o horizonte desaparece

e o apito que era de longe, aproxima-se

ao chegar nem sei o que se parece.

 

As carruagens alinhadas

adornadas a pinho e cortinados

multiplicam-se vénias, chapéus e elegância

e bancos impecavelmente bordados.

 

E agora tomo o verso a este século

onde tudo é uma grande mentira

onde a elegância passou a desmazelo

e a memória, essa ninguém ma tira.

20-10-2017

05
Set17

O tormento

David Marinho

bom dia

diz a senhora do vestido azul

bom dia

diz o senhor do fraque castanho

 

noutro tempo

de mãos atrás das costas

viviam ao relento

por beijos proibidos

à vista dessas encostas

 

educavam-se os pares

o casamento selava a liberdade

admiravam-se esses mares

de tanto escutarem

traziam sempre uma saudade.

 

e diziam bom dia, outros tempos

ninguém sabia mentir

e davam-se outros alentos

porque o tormento

não era não amar

era não sentir.

 

 

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