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Domingo à tarde

Não gostas, queres ver!

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05
Jan18

Metropolitano de Lisboa, a metáfora da vida.

David Marinho

O senhor de bigode, o puto charila, a senhora apressada, o segurança que faz o seu trabalho, máquinas, máquinas e mais máquinas. À superfície o chão treme quando passa o metropolitano, leva e traz gente, gente, gente e quando pára, pára de vez porque nada resiste ao tempo. Antes os túneis eram escavados a partir do chão, furando cidades. Hoje é um buraco, buracão e o resto fica nos meandros da cidade. Como as pessoas, que antes abriam-se porque eram gente. Hoje fecham-se, e precisamos de explorar lá em baixo, onde moram as trevas e resiste o lodo das vidas de alguém. Agora temos escadas rolantes, porque facilitam as subidas, mas eram as escadas que davam valor a quem tinha a coragem de subir. Como na vida. O metropolitano afinal é metáfora e dá nome. Aos desconhecidos que se encontram e coexistem, coabitam e ainda pagam para isso. Mas não se falam e o toque é o mal necessário. Porque as pessoas não se tocam, mas não falam e querem estar. Não se está quem não quer estar. E duas pessoas que não estão? Mergulham num estado de inexistência?

 

Oh vida. Próxima paragem: Baixa - Chiado.

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08
Dez17

Vamos conversar?

David Marinho

 

 O que eu gosto e tenho saudades é de me sentar a falar das maiores barbaridades que o mundo já conheceu.

Falar barato, falar caro, falar ao Deus-dará, falar para si e para os outros, falar por solidariedade, falar. Não há nada melhor do que conhecer, do que expressar o que sentimos num instante e de ver a reação. Faz falta parar para conversar, para saborear os segundos e a ver as horas a passar.

Faz falta!

Faz falta humanizar a vida e extrair as emoções dos outros para que percebamos as nossas. Nós somos o que vimos a vida inteira, é por isso que precisamos ver mais, para aprender mais. Só assim educamos a nossa forma de estar para podermos ensinar outras formas de estar aos que estão à nossa volta.

Vá lá, tu sabes bem distinguir o engodo da sinceridade. Sabes reconhecer quando a energia de um sítio não corresponde ao que pretendes. Reconheces a energia da pessoa que tens à tua frente, o que ela te dá mas sobretudo o que te pode dar. Rui Veloso não tinha total razão quando dizia que "não se ama alguém que não ouve a mesma canção" mas claramente não se pode amar alguém que não tenha a mesma energia - menos poético, eu sei.

As pessoas fogem de outras com medo de se magoarem. Quando éramos crianças, quanto mais nos batiam menos doía, porquê agora o medo de nos baterem? Porque não arriscam tirar o peso do peito quando o assunto é amor, amor de mãe ou de pai, amor de irmãos, amor apaixonado, amor despreocupado, amor ocasional, amor desmesurado? É o ouvir um não? É que sem arriscar diria que o não é garantido mas silencioso.

Faz falta sentar para conversar, até sobre nada. Nunca observaram os gestos repetidos de quem se expressa pouco? É maravilhoso. A cabeça precisa de ser enganada para nos soltarmos. É a cabeça que nos guia quando nos focamos mas os músculos ficam tensos. E quando a enganamos, somos todos tolos, alegres, fingidos e enamorados pela vida. Experimentem observar, também é bom parar para fazê-lo.

 

E por isso eu queria muito convidar-vos para falarmos. Quero em 2018 conversar com vocês, num formato pensado mas despreocupado. Vai ser bom para mim porque aprenderei com vocês, como para vocês que podem abrir-se ao mundo, como para quem nos ouvirá, que passará momentos muito bons certamente. Mas preciso de feedback.

21
Nov17

Porquê perder tempo?

David Marinho

O tique-taque das horas não perdoa, a menos que deixemos de lhe dar corda. E isto podia a metáfora para grande parte das situações do dia-a-dia, da vida em geral. É a corda que nos segura, nos ampara e nos favorece. O problema é quando dependemos de um fiozinho, fraco e indefeso, acabamos por nos separar daquilo que nos mantém. Vou-vos contar uma história: havia um menino (vou chamar-lhe Pedro) que tinha uma alegria infindável, contagiante, soberba até. Certo dia, uma dor assombrou-lhe o baixo ventre e, por entre vómitos e dores horrorosas, Pedro e os pais vão ao hospital mais próximo. Entre pulseiras das cores do arco-íris e o ser atendido, contei-lhe 4 horas. As dores cresciam, ao contrário das palavras de conforto que começavam a escassear. Mas vamos poupar ao leitor maior demora: o Pedro tinha cancro.

 

Uma criança que era a luz dos olhos dos seus pais, dotada de uma felicidade infinita, vê-se nas amarras frágeis de uma doença como esta. Os pais, em completo desespero, temem por tudo, até pelas parcas palavras que têm para lhe dizer, ao seu mais que tudo. 

 

Isto tudo para quê? Para vos dizer que as cordas são feitas de pequenos fios todos juntos. Ao longo da vida eles vão partindo e vão enfraquecendo todo o conjunto. É definitivo, nenhuma matéria é imortal.

 

Por isso pergunto: Porque raio andamos a perder tempo com o que não interessa?

 

Bom dia. 

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