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Domingo à tarde

Domingo à tarde

17.Ago.17

Vislumbrar a nostalgia não faz mal a ninguém

 Nostalgia.

É isto que sinto, sentado na praia dos turistas perto do Cais do Sodré. Daqui vislumbro a Ponte de Salazar, 25 de Abril para simbolizar a Liberdade. Vislumbro Cacilhas e os seus queridos cacilheiros, laranjinhas, características e inigualáveis (livra-te Transtejo de mudar os velhinhos cacilheiros). Vislumbro a Lisnave e sua Base do Alfeite, onde passei aos 18 a ser reserva militar. Vislumbro o barco que levará gente até ao Barreiro, onde outrora era o único sítio onde podíamos ir de comboio até ao sul do país, com um dos maiores complexos industriais da História de Portugal e onde cresceu o verdadeiro futebol português. Daqui vislumbro os cruzeiros que navegam os oceanos, que conheceram todas as culturas e rasgaram todos os mares para virem admirar uma das melhores cidades do mundo. Vislumbro a luz, os elétricos atrás de mim, a azáfama dos carros, dos taxistas e das pessoas. Vislumbro a Praça do Comércio, local de inquisições, de mercados, de governos, da literatura, da música, de toda a cultura e história que Lisboa e Portugal viveram e documentaram. E vislumbro os tristes, os incertos, os encalhados e os divertidos. Vislumbro quem se perde, quem se encontra, quem se compromete e se desdém. Vislumbro o Tejo, que vem de tão longe, do velhinho irmão espanhol para vir morrer aqui, onde o rio se encontra com o mar. Esse Tejo que acompanha os boémios, os líricos, os poetas, os apaixonados que, com o sol timidamente a pôr-se, embarca numa paixão que só aqui, exatamente aqui, consigo sentir, todos os que ousam estar aqui.

A nostalgia lembra-nos onde estamos mas sobretudo de onde viemos. Não esquecer, não menosprezar.

 

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