Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Domingo à tarde

Senta-te, desfruta e serve-te enquanto vou ali fazer uma sestinha

30.Ago.17

#1 Chucha-me o nabo

David Marinho

Chucha-me o nabo surgiu quando num grupo de amigos proferi tais palavras e a risada iniciou-se. Tal como qualquer marketer, sentindo-me como tal, pensei: "Olha, isto é coisa para pegar!" e assim foi. Quer dizer, não peguei nem vão pegar. Muito menos chuchar...vocês perceberam. Para hoje trago-vos uma teoria da batata (ou não), querem? Claro que querem, também não terão escolha. 

Porque é que depois da adolescência tempo é incrivelmente rápido? 

Nós durante a juventude paramos muito para falar, brincar e descobrir o mundo. Depois disso fazemos o mesmo, mas acumulamos maiores responsabilidades. Damos por nós a desejar que a vida comece a partir das 18h quando o trabalho acaba,que cheguem as horas tardias porque queremos dormir e esquecer o cansaço. Desejamos que o tempo avance porque avançando vivemos. E apreciamos pouco o trabalho, o meio fechado em que se encontram porque estamos ali por objectivo, por força e bem sabemos como são as coisas quando temos de fazer frete. Então o tempo é rápido e quando chegamos a uma altura da vida, queremos abrandar o tempo, reviver outros tantos anos perdidos, ter os filhos dos filhos que nunca soubemos ter, apurar os sentidos e fazer as coisas que achamos não ser capaz. Mas vamos perdendo as faculdades,  porque a vida envelhece também é é por isso que o ritmo abranda. É difícil perceber quando devemos parar, principalmente com esta ânsia de viver tudo ao mesmo tempo num curto espaço de tempo. E de tão difícil que é, é que depois nos arrependemos, nos enxergamos de que tudo é belo e que temos o dom de perder. E ontem pensei nisso quando na ânsia de querer férias que terei em Setembro, esqueci-me que a vida existe agora, as pessoas, as coisas e que devemos cuidar sempre. Depois sim, poderei ir em paz mas até lá...

29.Ago.17

"Nós depois conversamos!"

David Marinho

Quem nunca ouviu isto.

Acho que nunca senti tanto medo, e olhem que o terror de uma criança, além de genuíno, deixa mazelas.

O medo de não saber o que se passava, o que foi feito ou o que iria acontecer. Não saber se iria cair uma chinelada, uma mão mortífera que deixaria marca, um calor localizado difícil de esquecer ou até a vergonha de nos gritarem no meio da rua, porque na escola tentávamos encontrar a nossa identidade mas em casa éramos os verdadeiros "conas".

O medo desesperante de querer ver resolvido no momento em que se proferia estas palavras, mas que só iria acontecer horas depois ou nunca, caso a progenitora se esquecesse do sucedido. Aqui aprendemos da pior maneira como deveríamos ajudar em casa, a comportarmo-nos ou a perceber quem manda. É que às vezes servia para nos calar, para não chorar ou para ver o quão frágeis somos perante tal autoridade.

O medo.

Hoje só o "Vai despejar o lixo" soa-me a ultimato e chego a acreditar que um dia ainda me manda com um caixote cheio em cima. Porque vamos sempre a tempo de aprender.

28.Ago.17

Direito à diferença ou dever de igualdade?

David Marinho

Nós (sociedade) temos um mal geral. Queremos tanto tornar a igualdade de direitos, de respeito por todas as raças, géneros, etc que acabamos por cair no ridículo de mostrar, mais do que as diferenças óbvias, que há mais desigualdade, desrespeito, cavando ainda mais o fosso entre o que achavam que iriam juntar.

Não conseguem viver com o simples facto de que há diferenças, mas que temos para com todos o dever de equilibrar os direitos instituídos, nas oportunidades, quer de trabalho, de vida, na educação, na forma de tratamento. Sim, na forma como se tratam as pessoas. Por isto quase ninguém se indigna, ou pelo menos não tem a força que tem como teve os livros da Porto Editora. 

Não podemos achar que a retaliação dos oprimidos é bem feita. Temos é de achar que os que oprimem, estão mal, seja homem, mulher, preto ou branco. Temos de punir quem pratica o mal, o que não deve ou está contra a lei. Não é ter as suas preferências e achar que agora vamos todos matar a sua barriga de misérias que dura há décadas.

Ao que parece os livros tinham o mesmo grau de dificuldade, mas o que foi partilhado foi a diferença entre duas páginas, esquecendo por completo que os livros têm dezenas delas. É o mesmo que julgar o livro pela capa, estou errado?

Temos de acabar, isso sim, com o julgamento fácil. O linchamento soberbo sobre as outras pessoas, só porque estão contra aquilo que acreditam.

Não temos o direito de acabar com a liberdade dos outros, se isso não interferir na nossa. Podem não gostar, podem ofender ou gozar com a situação, mas nunca obrigar a que se retire a liberdade. Isso nunca.

 fonte: Público

Pág. 1/12