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Domingo à tarde

Senta-te, desfruta e serve-te enquanto vou ali fazer uma sestinha

05.Mar.18

Não te fartes da vida

David Marinho

Há dias falava com um amigo que se dizia farto de muita coisa na vida.

Farto da incompreensão,

farto da promiscuidade,

farto da fragilidade estúpida das pessoas,

farto da mentira para se safarem,

farto da falta de bom-senso.

Esperei para escrever isto porque sei que me lês, para te dizer que há coisas na vida que não têm de ser compreendidas, nem faladas a sério, nem construídas de raiz, muito menos com vitalidade e força. A vida é para ser vivida, trabalhada, limada nas suas arestas mais propensas ao erro e à crítica. Melhorarmos a nossa capacidade de entender o jogo, faz de nós pessoas mais capazes.

Tu lembras-te do Darwin que dávamos na escola? Eu disse-te tantas vezes que o homem tinha razão: isto só está feito para os mais fortes, para quem é capaz. E num mundo que te dizes farto, são os anti-corpos que teimas em deixar entrar que são cada vez mais necessários.  

Lembras-te da Teresa que gostavas no Liceu? Porque não foste atrás dela? Ela ensinava-te a ver o mundo de outra perspectiva, porque a tua está gasta e com data de validade expirada. Tu precisas que uma mulher te faça ver o lado dela, para compreenderes que são seres superiores, muito superiores a nós, que não percebemos nada disto. Mas tu achavas que era tudo mentira, que ela não percebia nada disto, que só queria gozar contigo. A Teresa casou-se, sabias? Perdeste a oportunidade, devias estar farto disso também.

Mas peço-te: vive, que não quero que te fartes da vida.

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