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Domingo à tarde

Senta-te, desfruta e serve-te enquanto vou ali fazer uma sestinha

31.Ago.18

Não me tirem esses prazeres

David Marinho

É nos teus passos apressados e frios onde vejo por onde andei. Nada é tão infeliz do que não sentir felicidade até nas pequeninas coisas, onde nos refugiamos quando as grandes nos escapam por ingenuidade, por pressa ou simples tristeza na alma. Imagino o dia em que os meus prazeres deixem de fazer sentido, que não saiba substituir por outros igualmente agradáveis. Mais vale morrer.

Não quero viver num mundo em que, além de estar entupido de uma hipocrisia podre, tenho de abdicar dos meus prazeres mais básicos porque já não vale a pena, já não contam para nada. Adorar conversar é uma delas, mas conversar numa frequência que talvez não esteja acessível a todos. Às vezes, confesso, pouco me interessa a história, eu quero saber o que despoleta, o que promove, o que aconteceu lá atrás porque essas sim são respostas porque tudo o resto são consequência. E isso requer abertura, cor, tempo para as pessoas se habituarem a uma privacidade, uma intimidade que cada vez é mais difícil de encontrar.

Tirem-me esse prazer e deixo de conhecer, porque viver uma vida na completa ignorância mata muito mais depressa. Tirem-me o acto de beber café por exemplo, que é tão social como o hábito de procurar saber mais. O café para mim é uma experiência, como uma conversa, um abraço ou um amor substancial. Nem todos sabem saborear, mastigar bem as coisas. E é por isso que custa tanto engolir a felicidade dos outros.

E é quando vejo esses teus passos apressados e infelizes, é que percebo que não é por aí que eu quero andar.

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30.Ago.18

Muda-te ou muda alguém

David Marinho

Não há nada de errado em acreditarmos em nós. Em acreditarmos com uma força tal que possamos cair no erro de nos sentirmos egocêntricos, egoístas. É que 100% das mudanças que queremos implementar no Mundo, terão (ou deveriam) de ser uma realidade em nós, porque o nosso conhecimento absorve o que vê ou o que nos ensinam. Não há outra forma de saber: ou disseram-nos ou vimos. E acontece isso com crianças também. Não há feitiçaria, pozinhos que de repente se transformem em conhecimento.

E acreditarmos em nós é talvez o princípio da auto-sustentação que é vital para que possamos não depender da boa ou má vontade de alguém, e não estou a falar de ajudas financeiras ou de outro tipo. Falar do psicológico, do emocional que nos falha a todos quando às vezes precisamos, mesmo que não seja sempre.

E porque falo nisto? Talvez porque acho que existe uma certa ingenuidade quanto ao mundo em que vivemos. Tudo isto é demasiado impessoal, e todos nos demos conta na diferença de humanidade que se calhar existia há umas décadas e que existe agora. Não vou pôr culpas em nada. E há quem ache que há solução para um mundo auto-sustentado na própria humanidade, o que é manifestamente mentira. Há pessoas e pessoas, mas é muito pouco para o que precisamos. É mentira ou não? Não sei, é o que me parece.

Primeiro: devemos sentir-nos bem connosco próprios; Segundo: sermos nós a mudança que queremos implementar no mundo; Terceiro: esperar o melhor e o pior nos resultados.

Porquê o pior? Quantos casos não temos de quem quer mudar algo e se vê barrado dessa possibilidade porque existe tanta gente algo cómoda?

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29.Ago.18

Quecas e alforrecas

David Marinho

Seria o nome do meu livro se o escrevesse. Por um lado temos o lado irreverente da rima, por outro duas coisas que são tabú hoje em dia mas por razões distintas.

Mas depois perguntam-me (e bem):

"- Oh palhaço, esse divertimento levado a cabo por pessoas de bem e esses seres vivos que parecem a cabeça do coiso com tentáculos não é irreverente?"

Eu responderei que sim e continuarei a beber o meu café, com o mindinho para fora, para parecer, por um lado, que não tenho controlo sobre esse dedo, por outro, que sou um intelectual do século XIX oriundo de Odemira.

Mas confesso aqui que tenho um sonho antigo de escrever um livro mas depois faço-me de difícil. Acho que no fundo o facto de adiar faz tudo parte de um charme muito pessoal, como se ao rejeitar a ideia, ela fosse mais apetecida. É isso, não é? Já não digo nada.

E começaria onde? Numa praia em Ermesinde. Logo aqui é ficção (não há praia ou há?). E depois porque como já faz parte da cultura geral, é onde estão as "gajas memo memo mais melhor boas!".

Dêem-me tempo que depois organizo melhor as ideias.

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