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Domingo à tarde

Senta-te, desfruta e serve-te enquanto vou ali fazer uma sestinha

18.Set.18

Porque gosto de ler

David Marinho

Gosto de ler porque isso traz-me alegria.

É fácil pela imagem termos noção da felicidade, do ar de arrependimento, do sonho ou do pesadelo. Pelo som, a voz diz-nos quase tudo mas falta-nos pormenores. Pelas letras é a nossa interpretação, e é por isso que o livro desafia-nos muito mais.

Os livros não trazem consenso, ou pelo tipo de escrita, pelo autor ou pela história. As letras são de interpretação livre, e isso faz com que alguns a rejeitem, com medo que a sua interpretação (a certa, sempre) vá contra aquilo que acreditam. Mas o contrário também existe, que achem que tudo é exactamente aquilo que pensaram, para o bem...e para o mal.

Eu leio para perceber o mundo. Falta-nos muitas vezes uma segunda opinião sobre as coisas, e muitas vezes elas vêem em forma de história, encapsuladas numa narrativa que pode ter tanto de rica como de pobre. Mas contamos com eles para nos darem tempo para pensar, para libertar o nosso stress ou as nossas frustrações e misturarmos com os sentimentos das personagens escritas. Nada despoleta as mais altas emoções do que um livro, nada.

E hoje foi o dia. Capitães da Areia, de Jorge Amado. Uma história que deixou marcas e uma visão sobre a educação, o amor e a virtude de crianças abandonadas como se calhar nunca tinha tido. E esta, independentemente de ser triste ou alegre, é a maior bênção que um livro pode dar: de fazer pensar.

 

2018 Reading Challenge

2018 Reading Challenge
David has completed his goal of reading 10 books in 2018!
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17.Set.18

A folga

David Marinho

A folga é uma bomba de oxigénio.

A folga é como um cacto que não pica.

A folga é um acto de misericórdia.

A folga é como uma prece que nos foi atendida.

A folga é um novo conhecimento

A folga é céu limpo, solarengo.

A folga é folga do despertador.

A folga capacita.

A folga transforma.

A folga acaricia.

A folga é como uma nuvem de algodão.

A folga é o contraste disto

Mas...

A folga também engana.

A folga também serve para trabalhar.

A folga é fazer tudo o que não fazemos a trabalhar.

A folga é cozinhar mais.

A folga é limpar.

A folga são 24h que duram 20 minutos.

 

Acordei há pouco. Ah, a folga.

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16.Set.18

Esbanjar a vida

David Marinho

Custam muito as saudades de alguém de quem se teve saudades a vida inteira. Quanto maior o número de vezes em que se combina qualquer coisa e depois se desmarca; quanto maior o número de vezes em que se decide que amanhã vai ser o dia de reatar uma amizade e quanto maior o número de vezes em que, no dia seguinte, nada acontece, mais a alma dói de desilusão e de desespero connosco próprios, por termos esbanjado uma amizade profunda, como se houvesse muitas - ou fossem facilmente substituídas.

Miguel Esteves Cardoso

A sensação que me dá é que esbanjamos demasiada vida: com stress, com culpas, com merdas que não merecem (ou não deviam merecer) a nossa atenção. E esbanjar a vida é esbanjar tempo: de qualidade, de vontade de estar com os outros, connosco mesmos, para pensar, para sonhar, para viver. Mas eu percebo que nem sempre temos voto na matéria, muito menos quando a única forma de sobreviver é não ter tempo nem vida.

Eu conheci muita gente, muitos amigos, muita família de diversos graus. Em todos eles cresci no momento, conhecendo a sua história e a sua história do dia-a-dia mas muitos deles deixei para trás. Tenho culpa nisso, eu sei que tenho mas admito que a culpa não morre nem nunca morrerá solteira. Concordarão (será?) que o momento, emocionalmente, exige-nos, moralmente, as pessoas certas. Pessoas com que nos identificamos, que partilham o mesmo que nós, e que isso leva a que outros não estejam lá perto, mesmo que mereçam toda a nossa consideração.

E explicarmos a inevitabilidade das coisas é complexo, moroso e...inevitável. Não há razão para tudo, e eu sempre acreditei que havia forma de explicar tudo, e que tudo tinha uma explicação. Não há, simplesmente as coisas vão-se desmoronando sem remorso, sem credo nem vontade.

E as pessoas vão e vêm. Não temos controlo sobre todos os momentos da nossa vida, que possa infligir a dor de se perder alguém, seja qual for a razão.

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