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Domingo à tarde

Senta-te, desfruta e serve-te enquanto vou ali fazer uma sestinha

15.Out.18

Leslie e o futuro

David Marinho

O país não está preparado para nenhuma tragédia. Talvez seja fruto da segurança que sempre nos foi garantida, quer nacional, quer meteorológica. Mas não estamos preparados para quando algo nos devasta o país, como por exemplo a tempestade Leslie. Quando me preparava ao início da noite para ir trabalhar, deparei-me com os avisos de que as pontes em Lisboa podiam fechar. Se fechassem, toda a margem sul ficava isolada do resto país, sobrando a hipótese de, querendo ir para Lisboa, ter de ir ao profundo Alentejo para dar a volta ao rio. Com sorte, a tempestade fugiu da região e foi encontrar terra na zona da Figueira da Foz/Coimbra e devastou toda uma região, de tal maneira que a EDP não tem forma de contornar em tempo útil o problema, estando em cima da mesa o pedido de ajuda internacional, e a Altice para repor as telecomunicações naquela zona e demais entidades e pessoas que ficaram desalojados, sem previsão para regressar ou ter um lar. 

Há muito que as condições meteorológicas têm vindo a extremar, sem estações do ano definidas e sem capacidade para previr com condições um estado do tempo. E isso permite que haja previsões deficientes quanto à forma de agir perante condições desconhecidas ou com graus tão elevados. O que faz com que, quando aparece algo, é deixar levar tudo e logo se vê. 

Pude chegar a Lisboa e verifiquei que os avisos da protecção civil foram cumpridos. Ninguém estava na rua, o que era estranho naquela altura noutras condições, poucos ou nenhuns carros mas o tempo também era o normal, contradizendo a tragédia que se avizinhava. Infelizmente ela viajou para outro lado que não o mar onde podia morrer solteira. 

Que tudo se resolva, e num país que tem sido abatido pelos constantes incêndios cada vez maiores, é trágico que agora seja a chuva e o vento a estragar tudo o resto.

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imagem: Expresso das Ilhas

13.Out.18

O sucesso não vem nos livros

David Marinho

Vou ser polémico: os livros de auto-ajuda são uma merda. Não há, nem nunca vai haver, receitas mágicas para se ser melhor, maior e mais feliz. Ninguém, e custa-me acreditar o contrário, leu alguns livros dessa temática e ficou carregado de sabedoria, de saúde ou com uma sexualidade melhorada. Mas eu percebo o desejo intrínseco de, numa vida tremendamente agitada como a nossa, haver a necessidade de procurar receitas milagrosas para o sucesso, interior ou exterior. É como os jogos de azar, que são minas de ouro autênticas.

Mas vou aligeirar a coisa: não é por não acreditar, que devo levar as pessoas a não consumir tais coisas. Acredito é que os livros são soluções ideais, que muitas vezes se afastam do mundo real, onde tudo é claramente mais difícil.

Toda a ideia nasceu do facto de procurar neste momento, talvez mais do que noutros tempos, o sucesso pessoal. Senti uma necessidade muito grande de crescer e de fazer crescer todas as minhas conquistas, de albergar conhecimento e vitórias como nunca. E gostava, gostava muito, que houvesse uma receita que pudesse levantar numa qualquer farmácia moralista para conquistar o Ouro na vida. Não há outra forma de vencer senão penando e procurando-a constantemente. E lutar por objectivos não tem, capacitem-se disso, nada de agradável. O caminho não é agradável, mas a consciência diz-me que quando mais complicado for o caminho, mais saboroso é o resultado final. Talvez não mas a consciência é qualquer coisa que fica em parte incerta.

O sucesso requer planeamento e tempo. Há pequenos, desculpem-me se me expresso em inglês mas esqueci-me da palavra em português, checkpoints que teremos de passar se queremos chegar a bom porto, idealmente com tempo definido. E definir o que quer que seja é algo que me parece ser fulcral nas discussões interiores de muita gente. Definição de um objectivo é fácil, mas a definição da concretização não. Então procuramos os exemplos todos, as receitas todas que nos façam tornar tudo isto mais fácil. Só não procuramos ensinar-nos a arrancarmos do fundo a necessidade que temos de terraplanar a ideia de que só o sacrifício pessoal vence.

Se me tenho sacrificado? Tenho. Se me tenho sacrificado o suficiente? Se calhar não. Mas claramente o mundo real não vem nos livros nem nas ideias estapafúrdias dos loucos que povoam os dias e as noites.

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12.Out.18

Infinidade de coisa nenhuma

David Marinho

Já sei que somos pó, porra!

Quantas vezes mais tenho de te ouvir dizer que isto tudo é uma infinidade de pequenas merdas que não fazem sentido nenhum?

Ah, sem esquecer que andamos às turras por pura vaidade. Ninguém anda às turras por vaidade. A vaidade é o estágio terminal da estupidez que não serve o intuito de nada. E queres continuar a fazer-me acreditar que a vaidade faz o trabalho todo? 

Olha, assim de repente podias ligar. Não dizes que não ouves a minha voz e que por isso a tua boa parecença se esmorece? É que ligo, ligo e não atendes. Queres milagres? Aliás, queres falar de milagres? Falemos de milagres. A vida.

Que coisa milagrosa é viver num mundo que vive em constante centrifugação, porque andamos todos a ir ao extremo sem necessidade nenhuma. Mas isso ensinaste-me tu. Só temos necessidade do que não temos, do que temos só precisamos de capacidade para manter, o que aparentemente é fácil.

Vem para casa, se faz favor. Não é ao relento que tudo muda. E braços abertos, o quentinho da vida não tem faltará.

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