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Domingo à tarde

Senta-te, desfruta e serve-te enquanto vou ali fazer uma sestinha

17.Nov.18

É preciso que te explique?

David Marinho

É preciso gostar de sentir

(desculpem-me os ignorantes)

mas é preciso descortinar

é preciso aprender, e se quiserem

é preciso reaprender

que tudo cresce até minguar

que tudo é doce até salgar

as lágrimas do pranto,

que vieram, outrora,

das virtudes do riso.

É preciso gostar de estar

que as pessoas não são eternas

que as vozes se calam

e não tens ninguém que

não te esqueça

e que te leve para longe dos maus

dos impuros

e dos cegos.

É preciso gostar de viver

para não cairmos no erro

de perder

de enloquecer

de desprezar

a maior virtude

esta de estarmos vivos.

É preciso que gostes de ti

porque

no último desamparo

és o único que pode

cuidar

tratar

lembrar

de ti mesmo.

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15.Nov.18

Para quê?

David Marinho

Faz-me confusão a confusão. Que não haja um recolher de pensamento obrigatório, de esperança infinita de que, parando, guardamos algum tempo para nós. Ainda hoje, acotovelado no muro que dá para o rio Tamisa, discernia sobre o facto da cidade londrina, como muitas outras cidades, não ter um segundo de sossego, que leve as pessoas a entenderem a sua existência, o porquê de tanta correria e de esgotarem todo o tempo que tinham para amar.

Apreciei o tempo.

Vi barcos e barcos, gente e mais gente e nada aconteceu. Tudo, além de um reboliço constante, é uma lista de coisas a fazer e nesta equação não entra a família, os amigos nem o amor-próprio. Recheia-se a conta bancária e esvazia-se o que nos sustenta. A felicidade consegue muitas vezes ser uma tronco forte por fora mas totalmente ferido de morte por dentro. E hoje faz-se curso dessa mentira que é ser uma coisa que não se é. Para quê?

Colmatar uma falha na nossa vida sem a resolvermos de todo, tem tudo para correr mal. Acrescentar tempo a uma falha, faz com que a ferida cresça e demore o dobro do tempo a sarar. E nós não temos o dobro do tempo para esperar...ninguém tem. Mas achamos que estamos num bom caminho quando adiamos as palavras certas, os momentos certos, as coisas certas por acontecer. E que por vezes damos prioridade a coisas que fogem do nosso controlo, quando aquelas que controlamos, não estão bem. Para quê?

Parem um bocadinho.

14.Nov.18

Terrorismo em Alcochete?

David Marinho

Este caso de Bruno de Carvalho e Mustafá diz muito do país que temos. Não venho proteger ninguém nem aceitar o que fizeram, que se provado pelos tribunais, é altamente condenável. Mas diz muito do país que temos porque claramente precisamos destas novelas que, mais do que informar, só servem para preencher as duas horas de jornal, quando temos imensa coisa por esse Portugal e mundo fora que merece total consideração por influenciar realmente a nossa vida, o nosso bolso e o nosso bem-estar na sociedade portuguesa.

Depois vem a comunicação social. Respeito muito a classe mas a classe não se respeita a ela própria. Não concebo que o clickbait seja hoje a característica fundamental para vender, e que as pessoas tenham entranhado de tal forma essa prática que compram tudo, mesmo sem conhecerem qualquer conteúdo do mesmo, bastando o título mexer com elas, alterando sem ler toda a sua opinião.

Fala-se em Terrorismo.

Conseguimos colocar Alcochete ao nível do 11 de Setembro, ataques nas várias cidades europeias, Charlie Hebdo, etc, onde efectivamente houve mortes em massa, e mais do que pânico, fez soar os alarmes das várias liberdades que temos ao dispor e que foram altamente violadas. Volto a dizer que foram altamente condenáveis os ataques em Alcochete, altamente condenável o que poderá estar por trás mas...não lhe chamemos terrorismo.

E repito as palavras que ontem a Jurista Inês Ferreira Leite proferiu na SIC Notícias: "não banalizemos o terrorismo". Porque banalizá-lo, é banalizar milhares de mortes e violar o estado de direito democrático, é colocar no mesmo saco um acto de tremenda violência contra uma equipa de futebol (condenável), com actos que mataram dezenas, centenas, milhares de pessoas, pondo em causa todo um discernimento de uma sociedade e as suas liberdades. Cada macaco no seu galho.

 

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