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Domingo à tarde

Senta-te, desfruta e serve-te enquanto vou ali fazer uma sestinha

09.Jan.18

"A vida é sempre a perder"

David Marinho

Lá vão os Maneis,

as Marias,

os Joões,

as Isabeis,

os Franciscos,

as Alexandras,

correndo estrada fora, molhando as calças, os vestidos e as saias até aos joelhos,

pelos carros que passam e não param, como a chuva que cai e não esquece.

Os pára-brisas movem-se freneticamente,

os motores deitam fumo,

às vezes engripam-se

(como as pessoas).

Os quiosques recolhem os jornais, as revistas e as raspadinhas,

as mercearias recolhem as frutas e os legumes,

os cafés enchem-se, as pastelarias enchem-se, as salas de chá enchem-se

- dizem que a chuva é boa para o negócio.

E eu, como a senhora Antónia,

a Gertrudes,

a Manuela,

a Susete,

que comenta com o seu marido José

que a vizinha do segundo esquerdo deve ser uma rameira.

E vivem, revivem, como eu que estou à janela também

vendo e revendo,

vivendo,

a chuva que cai, os ventos que caem,

como as temperaturas,

enfim, como a vida,

que como diziam:

"é sempre a perder".