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Domingo à tarde

Senta-te, desfruta e serve-te enquanto vou ali fazer uma sestinha

01.Jan.18

Ano novo será mesmo de vida nova?

David Marinho

Cena 1 de 365

É bonito (e até poético) acharmos que iniciamos um ciclo novo e que tudo vai ser melhor. Será o meu vigésimo oitavo ciclo de vida e nunca resolvi todas as minhas resoluções, se calhar nem metade, das que pretendi a cada ano que passou. Aliás, nunca soube bem o que queria ao certo, e fui vivendo ao sabor do vento (o que também é bonito) mas objetivamente pode custar-nos caro. Viver sem rumo é bom quando sabemos que nada nos pode magoar na vida, e por isso vivemos por aí de pé descalço na areia, deitados numa palmeira a ver o tempo passar. Se nos podem magoar, temos de nos proteger e isso inclui estarmos atentos, saber o que queremos mas sobretudo o que não queremos. A matemática explica isto muito bem, e nem é preciso gostar dela.

Pior é alguém achar que as resoluções saem do papel por mero milagre, sem esforço e complicação. Ninguém tem o direito a sofrer mas têm o dever de se sacrificar (por vós mesmos, não por mim), o que daria até uma certa atitude, valor e 'estaleca' para o que aí vem. Não podemos continuar a pactuar com o silêncio se queremos falar, com a inocência se queremos desbravar caminho, com a injustiça se não procurarmos a resposta (quer dizer, uma pessoa injusta sabe sempre a razão da injustiça).

É preciso expor, comunicar, mostrar, defender. Muitos dos problemas do mundo vêm da falta de comunicação e da vontade de o fazer.

E é preciso sair do papel para darmos valor ao que procuramos ser. Procurar ser alguém na vida dá trabalho, muito trabalho. Há quem tente de tudo e não consiga mas não é o mesmo que uma pessoa que nada fez e nada conseguiu, e muitas vezes pensa-se que sim, erradamente. É frustrante mas é bem real.

Se têm realmente um objetivo para 2018, trabalhem nele a partir de hoje, se ainda não o tinham começado. O relógio avança e ninguém dá conta. O problema é que o tempo também, e esse não volta atrás.

 

Vamos lá!

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