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Domingo à tarde

Senta-te, desfruta e serve-te enquanto vou ali fazer uma sestinha

22.Out.18

Atrás do ecrã são todos bons

David Marinho

Há algo nas pessoas que me inquieta, que possivelmente só sociólogos e psicólogos me conseguirão explicar: a necessidade de as pessoas frágeis, e quando digo frágeis, falo evidentemente, das pessoas que não têm qualquer suporte que as segure à mínima rasteira emocional, de terem uma voz aparentemente descomplexada da realidade atrás de um ecrã, quando elas próprias têm complexos cá fora. Não afirmo isto de forma ingénua, antes pelo contrário. Que eu sei que vivemos tempos em que qualquer pessoa atrás de um ecrã tem, aparentemente, uma voz, isso eu sei. O que não percebo é o propósito: se uma profunda frustração pela vida e por si mesma, se uma profunda falta de qualquer coisa que as leve a serem o que gostariam de ser e não são, ou se uma profunda inconsciência sobre o facto de desconhecerem os perigos de terem uma opinião que depois não é a delas. 

Fui claro?

É que defendo as correntes que fazem mover isto tudo: as sociedades, as políticas, o eu pessoal. E viver num mundo que vive num limbo do qual desconhece o que pretende, e isso ser de tal forma vincada, que passa para uma corrente, é muito complicado. Respeita-se muito o todo e respeita-se pouco a individualidade, e isto não resulta, a meu ver.

E estamos a piorar. A aceitação da liberdade e pela liberdade é uma utopia que se vai afunilando, criando nas sociedades uma noção que começa a roçar uma pré-ditadura económica, política e social.

 

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