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Domingo à tarde

Senta-te, desfruta e serve-te enquanto vou ali fazer uma sestinha

23.Set.18

Encaixotar memórias

David Marinho

Tudo fica encaixotado se não é vivido agora, ok?

Tudo é memória, alguma dela a fundo perdido, que se vai afundando em lugar algum, algures no espaço. Não temos capacidade para guardar tudo, com os detalhes todos, na forma correcta, e ainda ter de organizar nas gavetinhas, por importância e prioridade, tudo o que nos aparece à frente. E perceber este conceito não é fácil. 

Há pessoas, há momentos que entram e saem à mesma velocidade, e não temos o dever de as guardar. Não temos o dever de reter o que não nos acrescenta porque a memória esgota-se e um dia esfuma-se. A memória é importante para nos recordar o que fomos e de onde viemos, pelo meio aparece-nos coisas do qual temos de interpretar.

Isso vai ajudar-nos a perceber o que é realmente importante. Poderá, eventualmente, dizer-nos que a vida é selectiva demais, mas pelo menos sabem que o caminho é aquele e que depois se afina com o tempo. Continuarmos a insistir numa realidade paralela, que consiste em imagens dispersas de memórias, algumas perdidas, faz com que distorçamos a realidade actual, criamos macaquinhos na cabeça e não percebemos que 20/30/40 ou mais anos separam uma pessoa de outra completamente diferente.

E isto surge depois de debruçar-me sobre outro tema, de que as pessoas não ficam para sempre. E lutarmos por pessoas que já não passeiam nas nossas ruas, que há muito que arranjaram as suas companhias dos dias e das noites que não a nossa, é apenas o prosseguir da linha do tempo, independente de tudo o resto. Só temos de saber aceitar.