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Domingo à tarde

Senta-te, desfruta e serve-te enquanto vou ali fazer uma sestinha

16.Set.18

Esbanjar a vida

David Marinho

Custam muito as saudades de alguém de quem se teve saudades a vida inteira. Quanto maior o número de vezes em que se combina qualquer coisa e depois se desmarca; quanto maior o número de vezes em que se decide que amanhã vai ser o dia de reatar uma amizade e quanto maior o número de vezes em que, no dia seguinte, nada acontece, mais a alma dói de desilusão e de desespero connosco próprios, por termos esbanjado uma amizade profunda, como se houvesse muitas - ou fossem facilmente substituídas.

Miguel Esteves Cardoso

A sensação que me dá é que esbanjamos demasiada vida: com stress, com culpas, com merdas que não merecem (ou não deviam merecer) a nossa atenção. E esbanjar a vida é esbanjar tempo: de qualidade, de vontade de estar com os outros, connosco mesmos, para pensar, para sonhar, para viver. Mas eu percebo que nem sempre temos voto na matéria, muito menos quando a única forma de sobreviver é não ter tempo nem vida.

Eu conheci muita gente, muitos amigos, muita família de diversos graus. Em todos eles cresci no momento, conhecendo a sua história e a sua história do dia-a-dia mas muitos deles deixei para trás. Tenho culpa nisso, eu sei que tenho mas admito que a culpa não morre nem nunca morrerá solteira. Concordarão (será?) que o momento, emocionalmente, exige-nos, moralmente, as pessoas certas. Pessoas com que nos identificamos, que partilham o mesmo que nós, e que isso leva a que outros não estejam lá perto, mesmo que mereçam toda a nossa consideração.

E explicarmos a inevitabilidade das coisas é complexo, moroso e...inevitável. Não há razão para tudo, e eu sempre acreditei que havia forma de explicar tudo, e que tudo tinha uma explicação. Não há, simplesmente as coisas vão-se desmoronando sem remorso, sem credo nem vontade.

E as pessoas vão e vêm. Não temos controlo sobre todos os momentos da nossa vida, que possa infligir a dor de se perder alguém, seja qual for a razão.

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