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Domingo à tarde

Senta-te, desfruta e serve-te enquanto vou ali fazer uma sestinha

12.Mai.18

Não devíamos poder dizer adeus

David Marinho

Não devíamos. Ninguém tem o direito de fugir de nós sem aviso prévio, em carta registada e dando uns 150 anos à casa, quando já teremos partido e a dor passada a outros - só o egoísmo afasta o espectro da morte mas vai aproximando outras bem piores, que nos vão matando devagarinho. Seria tão fácil desligarmo-nos de um familiar, de um amigo, de um amor para a vida, como desligamos a luz ou fechamos a porta de casa. Perder no ouvido a voz timbrada de alguém que nos é tanto, é como perder o motivo que nos leva a ficar tantas vezes.Ninguém está preparado para perder o hábito de amar pois não? Mas é este o lado mau da vida, de nunca saber compreender muito bem o que é isto da morte e do fim. Que não há nada que possa substituir uma pessoa, por muita tecnologia e algoritmo que possa existir. E andamos nós a chatear-nos com merdas que só existem na nossa cabeça porque às vezes não sabemos preencher muito bem o tempo. Isso e um coração vazio, uma alma morta por dentro que faz desaparecer um brilho que só existe porque alguém desistiu de lhe dar luz e de viver.

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