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Domingo à tarde

Senta-te, desfruta e serve-te enquanto vou ali fazer uma sestinha

08.Mai.18

Não escreves mais porquê?

David Marinho

Tenho escrito pouco e o que pouco que tenho escrito dá sumo para meio copo. Não sei se tem sido falta de inspiração, de vontade ou falta de gracejo, mas as palavras e a vida não passam para o papel. Tenho olhado, aqui e ali, para o horizonte quando não olho para um computador, para o trabalho ou para alguém, e tenho olhado distantemente para não ver o quão perto tudo acontece e tudo existe em quantidades absurdas, para o bem e sobretudo para o mal.

Tenho feito um exercício ultimamente, sem sucesso confesso, de construção emocional, por achar que tenho de crescer todos os dias. Há momentos, formas de estar na vida, que nem sempre se coadunam com a nossa posição e a nossa atitude perante tudo e todos. E sem sucesso porque, tal como consigo ser bestial, consigo ser besta, irracional, indisciplinado, incoerente. Sou levado, e achava que isso me fazia bem, de no momento desbravar tudo aquilo que sou e penso, sem pensar que nem todos são e pensam como eu - erro meu, peço desculpa.

Todos os dias me convenço que a liberdade existe mas condicionada. Condicionada por quem, não seguindo uma linha definida por nós, entende que não é a linha que devemos seguir. Todos nós temos a capacidade de decidir o que queremos mas não temos a liberdade de decidir por ninguém, mesmo que isso nos dê um poder e um ego do tamanho do planeta. Não temos a liberdade de impor nos outros uma ideia, um ideal, um pensamento que vá contra a corrente, mesmo que isso nos dê um poder e um ego do tamanho do planeta. Temos sim a liberdade (e o dever) de impor aquilo que está certo, mesmo que não a tenhamos para decidir o que está certo ou errado. A política serviu (ou deveria servir) toda a vida para impor uma lei para que todos seguissem, senão isto era a completa selva (mais ainda).

E tenho escrito pouco por isto, por ter sido nos últimos tempos indisciplinado e achar que tenho pouco para contar. Sou tão estúpido, com uma vida inteira para contar, para viver, para apreciar (é esta a palavra!), só não escrevo porque não quero ou a cabeça não me deixa.

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