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Domingo à tarde

Senta-te, desfruta e serve-te enquanto vou ali fazer uma sestinha

24.Out.18

Não somos felizes

David Marinho

Nós humanos temos tendência a aumentar tudo. Se nos dão a ditadura, ela é conseguida de uma forma brutal, impondo o ridículo da censura em todos os níveis de uma forma avassaladora. Se nos dão a liberdade, fazemo-la de uma forma indiscriminada, tornando-a em libertinagem muitas vezes. O dinheiro é sempre pouco, para os que têm naturalmente pouco, mas também estupidamente para os que têm muito.

Como os sentimentos, como os sonhos, como em tudo. Temos pouca tendência a equilibrar, a pôr pitadas de qualquer coisa, a dar na mesma medida. Nós aumentamos, e na medida em que cresce o bom, vão crescendo aquelas ervas daninhas que estragam tudo, porque às tantas a margem é tão mínima e a linha é tão ténue.

Somos naturalmente incapacitados para gerir o suficiente. Somos incapacitados para perceber que além do pouco se fazer muito, ser feliz é fácil, mesmo que o contexto não o seja. É que entrámos numa bola de neve, entrámos numa espiral negativa sem precedentes que afecta tudo, contamina tudo à sua volta e nos deixa infelizes. Não há uma predisposição natural para se ser feliz hoje em dia. Não há uma forma fácil de dizer que nos estamos a matar todos os dias um bocadinho mais. Não há consciência suficiente para interiorizar que a integridade moral e cívica são a única forma de organizarmos uma sociedade mais aberta, ampla e com regras. Não há noção, não há compaixão, não há porra nenhuma. De tal forma que já nem nas redes sociais podemos estar e conviver, não podemos mostrar quem somos á sociedade sem o escrutínio, a ofensa ou a profundíssima falta de respeito pelo outro.

Enfim, cada palavra dita, cada acto cometido, vem embalado de trincheiras para nos proteger da guerra que se instaurou pelo tudo e pelo nada.

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