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Domingo à tarde

Senta-te, desfruta e serve-te enquanto vou ali fazer uma sestinha

13.Out.18

O sucesso não vem nos livros

David Marinho

Vou ser polémico: os livros de auto-ajuda são uma merda. Não há, nem nunca vai haver, receitas mágicas para se ser melhor, maior e mais feliz. Ninguém, e custa-me acreditar o contrário, leu alguns livros dessa temática e ficou carregado de sabedoria, de saúde ou com uma sexualidade melhorada. Mas eu percebo o desejo intrínseco de, numa vida tremendamente agitada como a nossa, haver a necessidade de procurar receitas milagrosas para o sucesso, interior ou exterior. É como os jogos de azar, que são minas de ouro autênticas.

Mas vou aligeirar a coisa: não é por não acreditar, que devo levar as pessoas a não consumir tais coisas. Acredito é que os livros são soluções ideais, que muitas vezes se afastam do mundo real, onde tudo é claramente mais difícil.

Toda a ideia nasceu do facto de procurar neste momento, talvez mais do que noutros tempos, o sucesso pessoal. Senti uma necessidade muito grande de crescer e de fazer crescer todas as minhas conquistas, de albergar conhecimento e vitórias como nunca. E gostava, gostava muito, que houvesse uma receita que pudesse levantar numa qualquer farmácia moralista para conquistar o Ouro na vida. Não há outra forma de vencer senão penando e procurando-a constantemente. E lutar por objectivos não tem, capacitem-se disso, nada de agradável. O caminho não é agradável, mas a consciência diz-me que quando mais complicado for o caminho, mais saboroso é o resultado final. Talvez não mas a consciência é qualquer coisa que fica em parte incerta.

O sucesso requer planeamento e tempo. Há pequenos, desculpem-me se me expresso em inglês mas esqueci-me da palavra em português, checkpoints que teremos de passar se queremos chegar a bom porto, idealmente com tempo definido. E definir o que quer que seja é algo que me parece ser fulcral nas discussões interiores de muita gente. Definição de um objectivo é fácil, mas a definição da concretização não. Então procuramos os exemplos todos, as receitas todas que nos façam tornar tudo isto mais fácil. Só não procuramos ensinar-nos a arrancarmos do fundo a necessidade que temos de terraplanar a ideia de que só o sacrifício pessoal vence.

Se me tenho sacrificado? Tenho. Se me tenho sacrificado o suficiente? Se calhar não. Mas claramente o mundo real não vem nos livros nem nas ideias estapafúrdias dos loucos que povoam os dias e as noites.

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