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Domingo à tarde

Senta-te, desfruta e serve-te enquanto vou ali fazer uma sestinha

18.Mai.18

Só os tontos acreditam em tudo o que lhes dizem

David Marinho

Não sei se é por respeito ou por vaidade, mas acreditam e seguem o seu caminho como se nada fosse. Eu tinha um amigo meu (e o leitor agora irá pensar erradamente: "é amigo teu, é...". Mas era mesmo) que tinha uma capacidade espantosa para ser demasiado boa pessoa. Tudo era uma dádiva de Deus, as pessoas eram de uma bondade estratosférica, as suas ideias eram autênticos Ferrero Rocher. E até havia quem lhe dissesse que a vida não é assim tão bonita, que era vê-lo logo de seguida ofendido até ao tutano. A ofensa maior era pôr em causa tudo aquilo que acreditava, o que não é de todo uma raridade - hoje em dia há muito ofendidinho, nossa senhora.

Bem, tudo para dizer que um dia...fodeu-se.

Ganhou na sua vida um significado novo: desilusão. Mas uma desilusão tão grande, quanto o tamanho da sua bondade. Era vê-lo bêbado e cabisbaixo, descompensado e desafortunado. Até dava pena, parecia um coitadinho, e nem foi por falta de aviso. Volta e meia tentava reerguer-se à custa de velhos fantasmas que lhe assolavam aquela cabeça a precisar de cabeçada para ver se acordava, fantasmas esses que traziam o que ele era antes, que lhe empurravam mais para baixo. Nem as mulheres o queriam, coitado. Nenhuma mulher gosta de um homem cronicamente triste, não é? Suga-lhes a boa energia, mais até do que gostariam de sugar outras coisas.

Esse meu amigo continua meu amigo. Menos desolado e mais esperto.

E como ele parece-me haver muitos hoje em dia. Não sei se por vaidade ou estupidez. Mas não precisam necessariamente de acreditar em alguma coisa, a menos que...olha...acreditem em vocês mesmo.

Finito.

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