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Domingo à tarde

Senta-te, desfruta e serve-te enquanto vou ali fazer uma sestinha

05.Fev.18

Até ao fim da vida

David Marinho
É para lá do rio Tejo que as diferenças acentuam-se, num banco de jardim, rodeado aqui e ali de montes alentejanos, e onde o vento susurra levemente e o silêncio se instala. - António, não vens almoçar? - Já vou, tenho tanto tempo! - Mas precisas de te alimentar, homem. - Eu sei, e hoje são migas e sopa de cação. - Adoro! - Também cabes na mesa, queres vir? - Quero. Comer é passatempo, quando o tempo não passa. Degustar a vida com o palato é das poucas coisas que faz (...)
20.Out.17

A elegância dos tempos

David Marinho
Ao longe vejo chegar o comboio da alegria Vem apressado o rapazote apita e esfumaça, coitado de linho vestido e um laçarote.   Os carris gritam a cada passagem a madeira range, o horizonte desaparece e o apito que era de longe, aproxima-se ao chegar nem sei o que se parece.   As carruagens alinhadas adornadas a pinho e cortinados multiplicam-se vénias, chapéus e elegância e bancos impecavelmente bordados.   E agora tomo o verso a este século onde tudo é uma grande mentira onde a (...)
05.Set.17

O tormento

David Marinho
bom dia diz a senhora do vestido azul bom dia diz o senhor do fraque castanho   noutro tempo de mãos atrás das costas viviam ao relento por beijos proibidos à vista dessas encostas   educavam-se os pares o casamento selava a liberdade admiravam-se esses mares de tanto escutarem traziam sempre uma saudade.   e diziam bom dia, outros tempos ninguém sabia mentir e davam-se outros alentos porque o tormento não era não amar era não sentir.